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Um armazém que guarda quase 100 anos de história em Teresópolis

Data: 17/11/2019

A imagem do pequeno armazém e as coloridas residências no seu entorno, em registro feito em um final de tarde, mostrando também ao fundo as imponentes Torres de Bonsucesso, formações rochosas na área do Parque Estadual dos Três Picos, teve grande repercussão na página do jornal O Diário na rede social Facebook

Marcello Medeiros

Bonsucesso, Terceiro Distrito de Teresópolis, cresceu bastante nos últimos anos – até de forma desorganizada, vale frisar. Hoje tem grandes supermercados, filiais de agências bancárias, postos de gasolina, várias agências de automóveis e até um Destacamento do Corpo de Bombeiros. Mas, se afastando um pouco das vizinhanças da RJ-130, que atravessa a localidade e liga nosso município a Nova Friburgo, ainda é possível encontrar boas lembranças da história desse cantinho da zona rural. Fica na localidade de Estrelinha, a poucos quilômetros da rodovia estadual, um importante ponto de comércio da região há quase 100 anos: Um típico armazém familiar que ainda guarda muitas histórias, características e tradições de outrora. Trata-se do “Armazém Bonsucesso”, como ficou conhecido inicialmente, ou o “Armazém da dona Cassinha”, que ainda hoje, aos 80 anos, toca com muito gosto o estabelecimento criado pelo pai, Manoel Sebastião Campos, o “Nosa”, como era mais conhecido. “Ele fundou esse armazém e trabalhou lá por muito tempo. Por um período, alugou para outra pessoa para se dedicar à agricultura. Mas, com a chegada do meu pai (Benir José de Ferreira, o “Beni”), o comércio voltou para a família e está conosco desde então, há mais de 60 anos. Minha mãe cuida e mora na casa ao lado, que dá acesso ao armazém, e nós pretendemos manter esse importante comércio vivo sempre”, conta Henrique Faria, que, ao lado dos irmãos Regina e José Carlos, o ex-vereador Faria, cresceu vendo as comunidades de Estrelinha, Lúcios e Bonsucesso como clientes e amigos do estabelecimento.


Balcões e prateleiras em um azul claro que não se vê mais hoje em dia, “coleções” de garrafas de bebidas que deixaram até de ser comercializadas há anos, como tradicionais cachaças artesanais, e a venda de produtos a granel
De longe, já dá para se imaginar que o que funciona ali não tem nada a ver com as transformações que vem acontecendo atualmente naquela região. As cores e características de construção de outrora, com portas e janelas voltadas para a via pública, são símbolos da resistência e carinho que ajudam a manter a história viva. Acessando o antigo armazém, se encontra muito mais elementos que estão há décadas ilustrando a vida de centenas de pessoas. Balcões e prateleiras em um azul claro que não se vê mais hoje em dia, “coleções” de garrafas de bebidas que deixaram até de ser comercializadas há anos, como tradicionais cachaças artesanais, e lembranças da venda de produtos a granel, como uma balança Filizola vermelha, com pesos em bronze para equilibrar e descobrir o quanto está sendo vendido - essa ainda em utilização para o comércio de alho e batata, por exemplo, e um recipiente em chifre para acomodação do sal, o único que resistia à corrosão gerada pelo produto. Doces de leite, abóbora, entre outros, e o caderninho de fiado também são elementos que não faltam no ambiente familiar e histórico em Estrelinha. “Nas prateleiras estão troféus do Esporte Clube Estrelinha, que tem campo pertinho dali, e na cortiça recortes de jornais com notícias do clube e da região, além de outras lembranças das pessoas que viveram ou ainda vivem por lá”, conta Regina, orgulhosa da herança de família e a dedicação da mãe ao espaço. “Essa é a casa onde eu nasci e onde praticamente todos os domingos eu, Henrique e Regina, com nossas famílias, almoçamos com nossa mãe Cassinha”, completa José Carlos Faria. 

Quanta história poderia contar essa balança Filizola com pesos em bronze para equilibrar e descobrir o quanto está sendo vendido. Detalhe, ela ainda está em utilização para o comércio de alho e batata

É preciso preservar!
A imagem do pequeno armazém e as coloridas residências no seu entorno, em registro feito em um final de tarde, mostrando também ao fundo as imponentes Torres de Bonsucesso, formações rochosas na área do Parque Estadual dos Três Picos, teve grande repercussão na página do jornal O Diário na rede social Facebook. O sucesso da fotografia aconteceu não só pela beleza da arquitetura e as maravilhas cênicas protegidas pela unidade de conservação ambiental, mas também porque muita gente ainda compreende a importância de se preservar a nossa história. É preciso evoluir, logicamente, mas sem atropelar tudo aquilo que fizemos e ainda temos de bom em Teresópolis, características de cidade de interior que encantam e atraem tantos turistas. Se continuar crescendo de forma desordenada, sem sequer um padrão ou preocupação com nossas belezas históricas e naturais, que município será deixado para nossas futuras gerações? Será que, daqui a 100 anos, alguém ainda terá orgulho de exibir e manter vivo um estabelecimento comercial familiar? Vale uma grande reflexão.

 


Há muitos exemplares de bebidas que só podem ser encontradas nesse tipo de estabelecimento comercial

 

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