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Tratamento contra o câncer ainda mais difícil

Data: 26/07/2018

?De janeiro até agora não tinha faltado e de repente tem a triste notícia que não tem mais. E depois que acabar, o que vamos fazer??, questiona a funcionária pública Sandra Regina Lima / Marcello Medeiros

A já difícil e desafiadora luta contra o câncer está ainda mais dura para os pacientes que dependem do medicamento Talidomida em Teresópolis. Quem procurou a secretaria municipal de Saúde nos últimos dias descobriu que o remédio está em falta e que não haveria sequer previsão para reposição do estoque, que vem do Ministério da Saúde, passa para as secretarias estaduais e depois é repassado para os municípios. Uma das muitas famílias que vive o drama de não saber o que fazer é a da funcionária pública municipal Sandra Regina Lima, cujo marido está em tratamento contra um câncer de medula óssea. “Esse medicamento é imprescindível para o tratamento do mielona múltiplo, que é o câncer na medula óssea. Meu marido tem 60 anos, está muito debilitado e se ficar sem esse remédio vai piorar muito a situação dele, creio que chega até a óbito. O próprio médico diz que o Talidomida é a menina dos olhos do tratamento, ou seja, se ficar sem teremos complicações. E não é só meu marido que precisa em Teresópolis. Quem tem linfona, mieloma... Às vezes meu marido vai na consulta e tem cinco pacientes em um dia esperando o remédio, sem contar outros dias e horários”, relatou Sandra em entrevista ao jornal O DIÁRIO e DIÁRIO TV nesta quinta-feira.
A funcionária pública destacou ainda que, se fosse possível adquirir o medicamento de outras formas, a própria família se uniria para manter a utilização do anódino.  “Não se encontra na farmácia, é só Secretaria de Saúde que fornece. É difícil de encontrar, somente com receita, por conta dos efeitos colaterais. Para mulheres grávidas, por exemplo, é perigoso porque o feto pode nascer com defeitos físicos na formação de pernas e braços. Se desse para comprar, mesmo que fosse caro, faríamos uma ‘vaquinha’ na família e compraríamos. O que temos está no finalzinho e não sabemos como fazer quando acabar essa caixa. Segundo nos informaram não há sequer prazo para voltar a ser distribuído”, enfatiza Sandra, pedindo empenho dos responsáveis pelo setor município para que a distribuição não continue precária. “Tem um amigo meu internado no Hospital São José que não tem mais, uma sobrinha ligou desesperada porque não sabia como fazer para ter esse medicamento. Faço um apelo ao município para que pressione o estado para que providencie o mais rápido possível. De janeiro até agora não tinha faltado e de repente tem a triste notícia que não tem mais. E depois que acabar, o que vamos fazer?”, questiona.
Entramos em contato com a Secretaria de Estadual de Saúde do Rio de Janeiro. Em nota encaminhada pela Assessoria de Imprensa, foi informado que a Superintendência de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos da pasta possui tal medicamento em estoque e que “Teresópolis receberá uma nova remessa nesta sexta-feira (27)”. Também buscamos um posicionamento da secretaria municipal de Saúde. Através da Assessoria de Imprensa da Prefeitura, o posicionamento informado foi o seguinte: “Segundo informações do Ministério da Saúde ao governo estadual, ocorreram imprevistos na produção do referido medicamento, acarretando problemas na distribuição. O órgão federal orienta o uso das alternativas terapêuticas, como a Pentoxifilina ou imunossupressores, quando possível”.

Talidomida ou "Amida Nftálica do Ácido Glutâmico"
Trata-se de um medicamento desenvolvido na Alemanha, em 1954, inicialmente como sedativo. Contudo, a partir de sua comercialização, em 1957, gerou milhares de casos de Focomelia, que é uma síndrome caracterizada pela aproximação ou encurtamento dos membros junto ao tronco do feto - tornando-os semelhantes aos de uma foca - devido a ultrapassar a barreira placentária e interferir na sua formação. Utilizado durante a gravidez também pode provocar graves defeitos visuais, auditivos, da coluna vertebral e, em casos mais raros, do tubo digestivo e problemas cardíacos.
A ingestão de um único comprimido nos três primeiros meses de gestação ocasiona a Focomelia, efeito descoberto em 1961, que provocou a sua retirada imediata do mercado mundial. No entanto, em 1965 foi descoberto o seu efeito benéfico no tratamento de estados reacionais em Hanseníase (antigamente conhecida como lepra), e não para tratar a doença propriamente dita, o que gerou a sua reintrodução no mercado brasileiro com essa finalidade específica. A partir daí foram descobertas inúmeras utilizações para a droga no tratamento de Aids, lupus, doenças crônico-degenerativas - câncer e transplante de medula.

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