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Teresópolis-Friburgo não recebe obra de asfaltamento há 20 anos

Data: 07/04/2018

Percorrer os 68 quilômetros de distância da RJ-130, que liga os municípios de Teresópolis e Nova Friburgo, tem sido uma verdadeira aventura nos últimos meses

Marcello Medeiros

Percorrer os 68 quilômetros de distância da RJ-130, que liga os municípios de Teresópolis e Nova Friburgo, tem sido uma verdadeira aventura nos últimos meses. Na maioria dos trechos da estrada, aliás, é mais do que se aventurar. É correr risco de vida. A estrada que tem início no bairro da Prata e termina em Córrego das Pedras, a segunda localidade já na cidade vizinha, está em situação extremamente precária. São centenas de buracos, alguns verdadeiras crateras que podem causar acidentes graves ou pelo menos danos enormes na suspensão de veículos de todo o tipo. Um dos pontos mais críticos, onde diariamente motoristas arriscam suas vidas, é nas proximidades do quilômetro 18, em Morro Grande, onde os enormes desníveis na faixa de rolamento, dentro de um trecho de curva e um grande declive, obrigam motoristas a, no reflexo, puxar a direção para a pista contrária em um ponto onde a visibilidade é ruim.
No último fim de semana, nossa equipe de reportagem ficou nesse trecho por cerca de dez minutos. Foi o tempo suficiente para flagrar diversas situações do tipo, momentos onde só não aconteceram colisões frontais porque os motoristas que seguiam sentido Teresópolis estavam atentos ou não havia ninguém “impedindo” a manobra daqueles que tocavam em direção a Nova Friburgo. Quem seguia o caminho normal ou freava bruscamente dentro da curva ou atingia violentamente o buraco. Outro detalhe negativo nesse trecho é que, bem ao lado das crateras, aconteceu um pequeno deslizamento de terra que obstruiu o acostamento – que poderia servir de escapatória para os motoristas. Nesse caso, ficariam em risco, vale frisar, ciclistas e eventuais pedestres.
Mais um fato no mínimo curioso em Morro Grande é que, a poucos quilômetros dali, ficam duas grandes e milionárias propriedades rurais do empresário e político Mário de Oliveira Tricano, seu haras e hotel. No cargo de prefeito por força de liminar até a última terça-feira, mesmo assim ele nunca se posicionou no sentido de cobrar do governo estadual um novo trabalho de recapeamento da pista. Ou, pelo menos, a colocação de “remendos asfálticos” para amenizar a situação até a realização de uma grande obra. Uma solução temporária foi feita na última quarta-feira. Não pelo antigo gestor ou pelo Departamento Estadual de Estradas de Rodagem, o DER-RJ, responsável pela RJ-130. Cansado de se arriscar e ver outros na mesma situação diariamente, um motorista de van jogou terra e pedras nos buracos desse trecho. A remediação, porém, não deve durar muito tempo por conta da grande quantidade de veículos que circula por ali diariamente e condições climáticas.

Atenção em toda viagem
Mas não é só em Morro Grande que o motorista deve ter atenção. Albuquerque, Vargem Grande, Bonsucesso, Vieira, Campo do Coelho... Difícil é citar uma localidade onde o condutor, de carro, moto ou caminhão não precisa ficar atento para não se envolver em acidente que pode ser até fatal. Além dos muitos buracos e pontos com desnível de pista, a falta de capina no acostamento esconde a sinalização, que já é bastante precária há anos.

Obra ficou na história
Um dos motivos de a RJ-130 estar nessas condições é o tempo que não é realizada uma grande intervenção no local. A última inauguração de obra de recapeamento e sinalização aconteceu no dia 09 de junho de 1998, com a presença do então Governador Marcello Alencar. À frente da prefeitura estava a médica Afaf Ribeiro. Até meados do ano anterior, a Teresópolis-Friburgo era conhecida como “estrada da morte”, justamente por estar em condições semelhantes à atual. Após dezenas de reportagens publicadas pelo jornal O DIÁRIO e encaminhadas para o governo do estado, o serviço de colocação de nova camada asfáltica em toda a rodovia foi iniciado. Hoje, a placa de inauguração do serviço está escondida em meio à grande vegetação. Quase 20 anos depois do momento de festa, é até difícil acreditar que, na ocasião, a RJ-130 foi citada como “a melhor estrada do interior do estado”.
Na última quarta-feira, a reportagem do jornal O DIÁRIO e DIÁRIO TV entrou em contato com o Departamento Estadual de Estradas de Rodagem, que alegou já ter iniciado intervenção na rodovia. “O DER-RJ retomou os serviços de conservação das rodovias de Nova Friburgo no último dia 02/04. A RJ-130 será uma das rodovias atendidas com os serviços de tapa-buracos, roçado e limpeza de pista”, informou, através de e-mail Daniel Azevedo, do departamento de comunicação do órgão. 


O DIÁRIO PUBLICOU EM 09 DE JUNHO DE 1998

Reprodução de reportagem publicada pelo jornal O DIÁRIO em 09 de junho de 1998, quando aconteceu inauguração da última grande intervenção na Teresópolis-Friburgo

Obra vital para a economia
- Recuperação é de extrema importância para o interior

O recapeamento asfáltico da RJ-130, e sua total recuperação é de grande importância do ponto de vista econômico não só para Teresópolis mas também a nível estadual. Os seus 68,5 Km de extensão servem de escoamento para cerca de 4,5 mil toneladas de produtos hortigranjeiros, oriundos do Mercado Produtor de Conquista, que são comercializados no Ceasa do Rio de Janeiro e movimentou R$ 15 milhões durante o ano de 1997. A obra vai beneficiar também os 13 hotéis e pousadas que ficam ao longo da estrada que por causa do seu péssimo estado faziam os turistas e veranistas não subirem a serra para se hospedarem nesses estabelecimentos por causa dos riscos de acidentes. Os empresários do setor hoteleiro sempre reivindicavam das autoridades uma melhoria na rodovia que refletia no número de apartamentos ocupados durante o ano. Os cinco mil motoristas que passam pela RJ-130, diariamente também eram vítimas de prejuízos constantes devido ao desgaste provocado nos veículos e a quebra de peças, principalmente nos caminhões que transportam produtos para o Ceasa. Esses gastos refletiam diretamente no preço final dos produtos e em consequência no bolso do consumidor. Os produtores rurais e a rede hoteleira podem agora ficar mais tranquilos quanto ao escoamento de sua produção e o aumento na procura dos hotéis e pousadas existentes em toda a extensão da estrada que devido ao seu estado lastimável de buracos, falta de sinalização e acostamento foi apelidada pelos moradores do interior do estado como sendo a "estrada da morte".



Placa de inauguração da última grande obra na rodovia está escondida na vegetação, assim como a sinalização em vários pontos

 

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