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Secretário acredita que atendimento nos bairros é a resposta para a crise atual

Data: 04/10/2018

O Secretário de Saúde Mauro Botner explica que os mais de dez mil usuários mês registrados na UPA poderiam ser reduzidos com a atenção básica em pleno funcionamento no município

Anderson Duarte

Em entrevista exclusiva ao programa Jornal Diário na TV desta quarta-feira, 03, o Secretário municipal de Saúde, Mauro Botner, explicou como a administração está enfrentando os muitos desafios encontrados na pasta, que passou pelo comando de mais de vinte secretários nos últimos sete anos. Entre os assuntos abordados estão a falta de médicos nos bairros, a situação precária na UPA, a ausência de políticas para enfrentar o subfinanciamento do sistema de saúde pública, além da necessidade de se ofertar mais vagas de internação nos hospitais referenciados do município. Com dez mil atendimentos por mês, a Unidade de Pronto Atendimento hoje, segundo o secretário, está pagando o preço da omissão dos gestores passados com relação a valorização do atendimento na atenção básica da cidade. Para o executivo, esta atenção básica encontra-se hoje absolutamente falida e sobrecarregando todo o sistema. Como exemplo da judicialização de muitos processos na pasta, pouco antes de entrar para o estúdio e participar da entrevista, Botner foi interpelado por Oficial de Justiça para receber quatro notificações referentes a internações e procedimentos.
“Encontramos na cidade uma estrutura de dezesseis unidades de atenção básica completamente falida, fechada, sem que conseguisse fazer um atendimento sequer e com uma abrangência que girava em torno de 24% de atenção básica no município. Isso é quase nada, o que significa dizer que os diabéticos, os hipertensos, e portadores de outros males que facilmente seriam tratados, acabam não recebendo esse atendimento primário e buscam a UPA como a porta de entrada da saúde. Acontece que esse descaso no primeiro atendimento no bairro, que estamos corrigindo de imediato, acabou gerando um volume impressionante de 400 atendimentos dia, e mais de dez mês na UPA. Mudamos esse foco de atuação na alteração do fluxograma de atendimentos na unidade, justamente para que tivéssemos capacidade de resposta para tanta demanda. A UPA não é mesmo um hospital, não oferece o serviço que muitas vezes o paciente espera encontrar, mas não deixa de atender ninguém. O que muita gente não consegue entender é que algumas negativas impostas naquela unidade se dão simplesmente por ser impossível de serem realizadas. Cito um exemplo muito recorrente o fato de muitas pessoas buscarem remédios na UPA. Lá não é local para isso. E muitos acabam saindo de lá dizendo que não havia o remédio. A verdade esse remédio que a população precisa esta disponível no CEMUSA e outras unidades do tipo. É desinformação”, explica.
Como mostramos recentemente, o aumento do número de leitos na cidade é uma das mais esperadas providências que o governo deveria tomar para melhorar a saúde pública em Teresópolis. Os constantes casos reportados de pacientes internados na UPA e a falta de vagas nos hospitais fazem desse, um problema quase crônico. Somados a cultura dos facilitadores políticos atuando desde sempre no município, encontramos um quadro caótico e de difícil solução. Mauro lembra que todo doente e familiar que precisa esperar longamente pelo atendimento não costuma ser tolerantes com o atendimento prestado, e por isso, muitas queixas acabam sendo muito veementes pelas redes sociais. “Hoje temos com o Hospital São José, treze leitos de CTI contratualizados, outros sessenta e um em enfermaria, na Beneficência Portuguesa, recontratamos a entidade para os partos de baixa complexidade e algumas vagas de enfermaria e obstetrícia, já no HCT são 137 leitos SUS que nos dão a possibilidade de 524 internações mês naquela unidade. Esse tipo de negociação precisa ser revista, precisamos racionalizar a oferta destas vagas e tenho certeza que com a chegada de novidades como a obra da nova unidade do HCT teremos a chance de ampliar esse atendimento”, enaltece Mauro.
O secretário também lembrou que com relação a oferta de médicos no município, algo que para ele é primordial para se propagar e ampliar o atendimento nas unidades básicas dos bairros, acaba sendo dificultado por aspectos externos e financeiros. “Faltam médicos SUS, e o subfinanciamento do sistema de saúde pública acaba afastando esses profissionais da área pública, por isso buscamos recuperar os profissionais do Programa Mais Médicos que tínhamos direito de ter aqui na cidade e acabamos perdendo. Esse médico, por ser generalista e prestar um serviço dedicado ao município consegue suprir necessidades que com médicos especialistas demandariam mais tempo e dinheiro, é uma iniciativa importante para tentar mudar essa realidade", explica e acrescenta: “Infelizmente, em todo o sistema público de saúde, esperar é quase parte do protocolo, ou seja, nós estamos realizando bem menos consultas e atendimentos que poderíamos, e isso se dá porque a demanda é maior do que a oferta”.
A demora para o atendimento em serviços de urgência e o período de espera para uma consulta médica, além da necessidade de contratação de mais especialistas, foram os itens mais sugeridos pelos nossos internautas e leitores quando convidados a participar da entrevista com perguntas. Esse “aumento do número de médicos” pode ser entendido pela população como uma solução para os problemas que vivencia, quando, na busca de serviços no SUS, ocorre demora para atendimento ou existe a necessidade de se chegar muito cedo ao local para conseguir marcar uma consulta ou utilizar outro tipo de serviço de saúde. O último ponto abordado pelo secretário foi com relação a ausência de uma Unidade de UTI Neonatal no município, que para quase a totalidade da população é uma grande vergonha para a cidade.
“A hora do nascimento de um filho é motivo de grande alegria para a maioria dos pais. Foram nove meses de espera para conhecer o rostinho do mais novo membro da família. Mas nem sempre é assim. O nascimento prematuro de uma criança é frustrante e angustiante para os pais que tem alta do hospital, mas deixam seus filhos internados em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, aqui em Teresópolis esse momento é ainda mais angustiante, porque nem esse unidade o município dispõe. Nós estamos tentando resolver isso, ou pelo menor minorar esse problema até o final do ano. Uma unidade móvel com UTI Neonatal já esta garantida para nossa cidade, e só não foi entregue ainda porque questões burocráticas impediram. Acho que isso, aliado ao nosso bom entendimento com o UNIFESO, que inaugura uma nova unidade com previsão para leitos Neonatal e poderá ser um bom parceiro nesse atendimento ao público SUS, assim como a possível construção de uma unidade especialmente com essa finalidade e de responsabilidade gerencial do município na Beneficência Portuguesa. Ou seja, acho que poderemos finalmente oferecer uma unidade de tanta importância como a UTI Neonatal para o teresopolitano”, finaliza Mauro.

 

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