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Resquícios da Tragédia de 2011 em Teresópolis ainda causam problemas

Data: 26/09/2019

Vizinhos reclamam de depósito de entulhos e lixo de todo tipo, entre ele material que estaria sendo acumulado para posterior comércio em empresas de reciclagem - Marcello Medeiros

 Marcello Medeiros

Perto de completar uma década, a maior catástrofe ambiental do país ainda causa alguns problemas para os moradores afetados pelas enxurradas e deslizamentos de terra que tiveram proporções nunca sequer imaginadas. Os principais, que provavelmente nunca serão resolvidos, aqueles relacionados às lembranças deixadas pelas marcas do dia 12 de Janeiro de 2011 em corpos e almas de quem perdeu amigos e familiares – muitos nunca encontrados, inclusive. Mas existem várias situações que ainda não foram resolvidas, mesmo tanto tempo depois, por conta da incompetência do Estado. Um desses exemplos está no bairro da Vila Muqui. Um dos grandes escorregamentos de terra daquela madrugada causou interdição de ruas e imóveis. As vias públicas foram liberadas, mesmo que precariamente, dias depois. Algumas residências, porém, estão nas mesmas condições, e algumas até pior do que naquela época. Além do estado de depredação, alguns desses imóveis, abandonados pelos proprietários após ressarcimento do governo estadual ou encaminhamento para apartamento na Fazenda Ermitage, foram invadidos. Casas que deveriam ter sido demolidas na Rua Fernando Martins, próximo a uma antiga nascente, atualmente são ocupadas por pessoas seriam oriundas de condições de rua.
Segundo vizinhos, além da moradia irregular e riscos as quais tais “proprietários atuais” estão submetidos, pois se os imóveis foram interditados e nunca liberados pela Defesa Civil é porquê estão em área com possibilidade novos escorregamentos de terra e pedras, é que vem sendo feito no entorno dessas casas: depósito de entulhos e lixo de todo tipo, entre ele material que estaria sendo acumulado para posterior comércio em empresas de reciclagem. Badernas, incêndios causados por fogo improvisado e possíveis “gatos” de energia elétrica são outros problemas que seriam comuns no local.
“Às vezes eles fecham totalmente a passagem do escadão que dá acesso entre as duas ruas, ficam com bagunça, sem contar que duas vezes os Bombeiros tiveram que ser chamados para apagar fogo dentro desses imóveis. Se está marcado para demolir, era para terem demolido já. A bandalha está cada vez maior e ninguém faz nada. Já cansamos de reclamar”, relata a moradora Diana Amorim.

Um dos grandes escorregamentos da madrugada de 12 de Janeiro de 2011 causou interdição de ruas e imóveis. As vias públicas foram liberadas, mesmo que precariamente, dias depois. Algumas residências, porém, estão nas mesmas condições, e algumas até pior do que naquela época

“Santinha” esquecida
Em um dos imóveis que ficou para trás na história de seu antigo proprietário e hoje tem novo “dono” por um longo período funcionou uma oficina de motocicletas, estando ainda escrito em uma das portas de madeira da garagem o nome do responsável pelo serviço. O que chama atenção também nessa crítica situação é que o espaço onde atualmente está o “depósito” de reciclados e outros detritos é considerado uma praça pública, em homenagem a Nossa Senhora de Lourdes. Embaixo da grande rocha que faz sombra nas interditadas residências ainda existe uma pequena imagem da “santinha”, como a relíquia por muito tempo foi chamada por moradores da Vila Muqui. 
As residências em questão deveriam ter sido demolidas pelo governo estadual ainda em 2011. Os anos foram passando, assim como a responsabilidade de dar um destino correto ao espaço, evitando situações como as reclamadas pelos moradores do entorno atualmente. Em 2014, a secretaria municipal de Defesa Civil chegou a informar que coordenaria a derrubada dos imóveis, mas nenhum tijolo sequer foi levado ao chão.
A obra de contenção da grande encosta entre as ruas Marcos Sales Canano e Fernando Martins foi concluída somente em meados de 2016. Mesmo com a grande intervenção, ainda hoje moradores do bairro, vizinho à região central do município, têm preocupação ao passar pelo local nos dias de chuva mais forte. 

Promessa de intervenções
Nesta segunda-feira, através da Assessoria de Comunicação da Prefeitura, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente informou que será feita uma operação conjunta com Defesa Civil e Fiscalização de Obras Públicas no local para averiguar a situação descrita na matéria. “A partir da constatação dos fatos, serão tomadas as devidas providências, tais como, retirada dos moradores das referidas residências e encaminhamento para Desenvolvimento Social para auxílio, conforme análise da situação individual”, destacou ainda a PMT. “Com relação à denúncia de que uma área no entorno das casas estaria sendo usada como depósito de lixo, a Secretaria Municipal de Serviços Públicos vai realizar uma vistoria no local para verificar quais medidas devem ser tomadas”, prometeu também o governo municipal.

 

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