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Respeitável Público

Data: 02/08/2019

A arte circense tem perdido uma considerável quantidade de admiradores. E, isso não é problema local, mas de proporções continentais. O circo americano Ringling Bros. and Barnum & Bailey, o mais antigo em funcionamento, anunciou esse ano seu fechamento após 146 anos promovendo o espetáculo aos seus fãs. A causa do “óbito”: falência da bilheteria.
A indústria do entretenimento, pelo seu dinamismo e constante reinvenção, não sofre com tais óbitos, pois cria, baseada em nossas fugas de realidade, outros mecanismos de diversão. Resumindo a história, o circo citado acima, é apenas mais um processo eliminado nessa roda viva que passa esmagando o que está a sua frente, substituindo as lacunas deixadas, por outros paliativos que anunciam a solução da angústia existencial.
O escritor peruano Mario Vargas Llosa, denomina nosso tempo e cultura, como a Civilização do Espetáculo. Com isso quer propor que essa “ é a civilização de um mundo onde o primeiro lugar na tabela de valores é ocupado pelo entretenimento, onde divertir-se, escapar do tédio, é a paixão universal”. Parece uma leitura inofensiva, entretanto, quando colocamos o entretenimento e a diversão como os valores supremos da atualidade, produzimos efeitos indesejados, tais como: a banalização da cultura, uma generalização idiotizada e a proliferação de uma rede de notícias irresponsável que se serve de bisbilhotices, escândalos e sensacionalismo. Fato é que a mentira vende mais que a verdade
Vivemos em uma cultura imersa num relativismo, onde a verdade ganha os ares do “gosto do freguês”. Uma cultura de massas onde predomina a imagem e o som, não a palavra (logos), não a verdade/desvelamento (alethéia). A cultura se tornou um bem de consumo nessa sociedade de mercado. Não há conteúdo, apenas forma. Por isso, o estético nesse trajeto precisa estar bem alinhado. Comemos com os olhos! Diz a gastronomia. Não saia de casa sem sua maquiagem! Você não vai atrair ninguém com essa cara limpa! - assinala os experts em relacionamentos amorosos.
Para a cultura ser agradável, encontramos uma maneira sutil de assimilação, porém taxativamente superficial. Preferimos a literatura light, a arte light, a música light, o pensamento light e com toda essa leveza, planamos no universo dos youtubers gurus, que com meia dúzia de vídeos assistidos, nos passam a ideia que somos, a partir de então, cultos e vanguardistas. Todavia, em uma cultura de massas, somos massa de manobra, nesse reboco malfeito na existência humana.
Nada escapa! Nem mesmo a religião que deveria nos ligar com o Sagrado. Prioriza-se as músicas que geram as “sensações”, as luzes que promovem o lúdico, as paredes que flertam com os ambientes profanos. Se os tais apenas propusessem as formas diferentes, ainda se valia algumas reconsiderações no que ponderamos, todavia, as formas comprometeram o conteúdo. A imagem e o som, substituíram a Palavra. Nas bancas onde apresentam seus bibelôs religiosos, expuseram Deus como mercadoria. Empobreceram o eterno pelas suas aparências etéreas. Transformaram o lugar do contato com Deus em um covil de ladrões.
“A cultura do entretenimento serve para prazer e diversão de caráter momentâneo e fugaz”, afirma o sociólogo francês Frederic Martel. Portanto, reconsidere seus caminhos! Refaça trajetos! Conviva com suas tragédias sem maquiá-las. Viva uma cultura de profundidade, com mais Hamlet e Karamazov, e menos Hollywood. Uma espiritualidade autêntica que não se aprisiona na forma, isto é, entende que não é “nem no Templo de Jerusalém” nem “em Samaria”, pois o conteúdo anunciado é que Deus busca adoradores que o adorem em espirito e em verdade. O diferente disso nos fará ouvir o célebre: Respeitável público, ao invés de uma saudação litúrgica. O que virá depois das boas vindas espetacularizada, não tem limites pirotécnicos. 

 

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