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Renegociações de bancos podem afundar consumidor em dívidas

Data: 21/03/2018

O economista Newton Golek alerta para as propostas "imperdíveis" dos bancos e como elas podem triplicar o passivo com apenas uma assinatura. "Não são obrigatórias, e muitas delas sequer são vantajosas", explica - Foto Rodrigo Medeiros

Anderson Duarte

A ideia é te tirar o sufoco, mas em grande parte das renegociações de dívidas propostas por bancos e entidades financeiras, além de não resolver o problema, esse consumidor acaba com um passivo ainda maior do que registrava antes deste tipo de modalidade. Em sua participação semanal no programa Jornal Diário na TV, o economista e perito judicial Newton Golek chamou a atenção para um problema que considera emblemático hoje em dia, a chamada “lavagem cerebral” promovida pelos bancos. Segundo o especialista, algumas propostas até podem parecer favoráveis, mas são completamente temerárias quando se percebe o valor total da dívida a ser negociada, em alguns casos, triplicando o valor original, que já havia incidido em inadimplência. Para o articulista, a melhor maneira para se combater os abusos continua sendo o Judiciário.
“Algumas pessoas são atraídas por essa espécie de lavagem cerebral proposta por algumas instituições financeiras. É quase se como você fosse obrigado a aceitar a proposta, caso contrário estaria condenado pela eternidade. Mas isso não é verdade, todo mundo tem o direito de passar por alguma dificuldade e devedor não é criminoso, podendo amplamente lutar por seus direitos, inclusive no próprio Judiciário, que no meu entender é a ferramenta correta. Não estou julgando as entidades financeiras que fazem isso, afinal, o objetivo delas é lucrar e lucrar cada vez mais, só não há nenhuma razão para chamar isso de recuperação de crédito ou combate ao superendividamento como dizem por aí. Na verdade o efeito é o inverso, aumenta o passivo e mesmo que em parcelas menores, deixo o consumidor com dívida com a corda ainda mais apertada no pescoço”, alerta Newton.
As chamadas dívidas com bancos são o maior problema entre os brasileiros economicamente ativos. Segundo o SPC, pouco mais da metade da população, precisamente 50,8%, tem alguma pendência do tipo. Por conta das altas taxas de juros, essas são mesmo as dívidas que mais pesam no orçamento. Por isso, para quem está no vermelho, buscar um acordo com o banco o mais rápido possível parece mesmo ser a saída, entretanto, Newton alerta que mesmo com excelentes condições como anunciam, é preciso planejar antes de tudo. “Não adianta quitar a dívida e voltar a ficar devendo logo na sequência. Logo, é preciso colocar no papel como você está gastando o seu dinheiro, pois só assim dá para ter uma ideia real de quanto dinheiro está entrando e quanto está saindo. Contas como água, luz e alimentação são o tipo que não tem como cortar, apenas reduzir o consumo. Mas com esse valor final em mãos, é possível cortar os gastos supérfluos e calcular quanto você tem disponível para o pagamento da dívida”, explica.
Mas segundo o economista, essa organização é apenas o início do processo, afinal, de posse desta contabilidade em dia, é hora de procurar uma renegociação justa para a dívida. “Sim, você pode e tem direito a uma negociação justa e positiva. Neste momento, é comum que os bancos tentem cobrar 100% dos juros, com um pouco de persistência é possível conseguir descontos e redução dos juros. Não dá para se livrar deles, mas dá para reduzir muito. Em caso de financiamento de veículos, os juros só podem ser negociados após três meses de inadimplência. Já no caso de cartões de crédito, os juros cobrados podem ser considerados abusivos, o que torna mais fácil a negociação. E o mais importante de tudo, quem sabe do seu dinheiro é você. Assim, é você quem tem que dizer qual o valor máximo das parcelas, o desconto para pagar à vista e garantias de que o acordo será cumprido, sem pressão, sem lavagem cerebral”, enaltece o entrevistado que ainda acrescenta: “Assim como na hora de comprar é preciso pesquisar o melhor preço, na hora de negociar uma dívida é preciso checar qual banco oferece as melhores condições. É possível fazer a portabilidade da dívida, ou seja, transferi-la de uma instituição financeira para outra, mas mesmo assim as armadilhas são grandes”, explica.
No universo empresarial, o economista é ainda mais cuidadoso com a relação da saúde financeira e aponta alguns cuidados a serem tomados para que a dívida não se transforme em um grande pesadelo. “Apesar de parecer óbvio, todo dinheiro dentro da empresa deve gerar mais dinheiro, ou seja, se um dinheiro entra como dívida ele deve ser utilizado para gerar mais dinheiro. Isso acontece, por exemplo, quando financiamos equipamentos, quando criamos uma dívida para expansão, quando em um futuro a empresa irá gerar mais caixa do que no momento em que contrai a dívida. Por outro lado, “cobertor curto” é o pior pesadelo, quando a empresa contrai uma dívida para pagar outra dívida, e outra dívida, e outra dívida… Os juros acabam se acumulando, a pouca geração de caixa fica cada vez menor e o pior, mais comprometida aos pagamentos das dívidas”, explica o economista.

 

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