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Primeira escalada de uma teresopolitana no Dedo de Deus completa 72 anos

Data: 17/07/2021

Na casa de Lilia não faltam fotografias da "sua montanha", além de homenagens pelo importante feito

Marcello Medeiros

Dia 17 de julho de 1949, setenta e dois anos atrás, em um mundo muito diferente do que vivemos hoje, em diversos aspectos, uma menina de apenas 15 anos foi contra tudo e quase todos para realizar um sonho: Conquistar o cume do já muito famoso Dedo de Deus. Escondida dos familiares, driblando ainda o preconceito que havia naquela época de que “mulher não faz esse tipo de coisa”, a jovem contou com apoio do irmão Edmundo e de alguns amigos para fazer parte de uma expedição que levaria um grupo até o topo da imponente formação rochosa da Serra dos Órgãos. Além do seu irmão, participaram dessa empreitada, em um dia que se tornaria histórico pelo fato de nenhuma outra teresopolitana ter pisado naquele lugar, Geny Cardoso, Ilka Montanha e os meninos Renato Nogueira Marques, Carlos Simão Arbex, Kival Simão Arbex, Haroldo Falcão, Theodoro Silva, Abdux Arbex, Julio Américo de Oliveira e Adilson Falcão da Graça. Eles foram guiados pelos experientes montanhistas Paim e Miguel Inácio Jorge, este um dos conquistadores da Verruga do Frade e conhecido como “Senhor da Torre” por ter sido o responsável pela manutenção na Matriz de Santa Teresa por várias décadas.

Além de Lilia Montanha, participaram da aventura 65 anos atrás Geny Cardoso, Ilka Montanha e os meninos Renato Nogueira Marques, Carlos Simão Arbex, Kival Simão Arbex, Haroldo Falcão, Theodoro Silva, Abdux Arbex, Edmundo Montanha, Julio Américo de Oliveira e Adilson Falcão da Graça, levados pelos experientes montanhistas Paim e Miguel Inácio Jorge


Aos 87 anos, Lilia, moradora da Várzea, revive até hoje toda a difícil subida e a felicidade por ter sido a primeira das três meninas a chegar à parte mais alta da montanha. Em entrevistas concedidas para o jornal O Diário e Diário TV, a aposentada sempre relatou o “sonhar acordada” e como ter conquistado o Dedo Deus mudou sua vida. “Minha mãe achava que era perigoso demais, mas eu queria e fui incentivada pelo meu irmão, Edmundo. Não queria mais ficar fazendo só caminhada, queria escalar o Dedo de Deus e das três meninas era a mais nova e fui a primeira menina a pisar naquele cume maravilhoso. Até hoje, tanto tempo depois, basta fechar os olhos para reviver toda aquela escalada”, conta ela, que também já esteve em outras montanhas como Verruga do Frade e Pedra do Sino. Importante lembrar que mesmo hoje, com a modernização dos equipamentos, técnicas e maior facilidade para conseguir informações sobre a escalada, ainda é considerada um desafio para muita gente.

O acidente
Em outubro de 1966, um acidente de carro na estrada Rio-Teresópolis impossibilitou Lilia de fazer o que mais gostava a deixou sem o movimento das pernas por um longo tempo. Hoje, mesmo sem poder andar devido às complicações da idade e ainda as consequências do acidente, ela mantém sua paixão pelas formações rochosas da região e continua sonhando diariamente com o Dedo de Deus. Aliás, montanha é seu sobrenome de verdade, não um apelido por conta do feito que se tornou histórico. Lilia do Nascimento Montanha. Ou seja, uma mulher que realmente nasceu para esse esporte.

A conquista do Dedo
Nunca é demais lembrar que a história da conquista do Dedo de Deus e do início da prática desse esporte no país estão intimamente ligadas com Teresópolis. Em 08 de abril de 1912, um grupo de moradores do município foi o primeiro a pisar naquele cume, a 1.692m de altitude. José Teixeira Guimarães, Raul Carneiro e os irmãos Américo, Acácio e Alexandre de Oliveira provaram que os brasileiros tinham condições de ter sucesso nas escaladas – apesar da falta de técnica e equipamentos. Eles se aventuraram montanha acima motivados pela provocação de um grupo de alemães, que havia sido vencido pelo Dedo e dito “que se eles não conseguiram, ninguém conseguiria”. A partir daí, a escalada deslanchou no Brasil. Apenas 21 anos após a conquista uma mulher chegou ao topo do Dedo de Deus. A carioca Luiza Caracciolo realizou o feito aos 19 anos, em 1933. Em 1949, foi a vez da teresopolitana escrever seu nome na história do montanhismo local. 

 

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