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Prefeitura diz que já foram feitos 4.005 testes Covid em Teresópolis

Data: 24/06/2020

Ginásio Pedrão

Wanderley Peres
 
Um mês depois do decreto do "rodízio de CPF", a novidade mundial que o prefeito fez patente prova que não funciona, prejudicando comerciantes a quem repassou obrigações suas, como a de fiscalizar documento de cliente, onerando ainda mais os empresários. O descontentamento, velado, do setor e os números confirmam o equívoco. Antes, em 24 de maio, eram 601 casos e 22 óbitos e ontem, menos de um mês depois, os casos passaram a 1.243 e 44 óbitos. Os testes, teriam sido feitos 4.005 até esta terça-feira, 23, não informando o governo quantos destes foram feitos em laboratórios particulares, provavelmente a metade. Ao custo de quase R$ 300 cada, esses laboratórios que vendem exames já teriam faturado mais de meio milhão e entre o seu público estão pessoas humildes que não conseguem o testes na rede pública e tem que se submeter ao custo. Ontem mesmo, a redação recebeu reclamação de uma senhora com os sintomas da doença que teve de buscar apadrinhamento político para o atendimento.
Como o áudio que O DIÁRIO divulgou um mês atrás, outra paciente mal atendida na Upa voltou de lá anteontem apenas “com um exame de sangue”, e sem o diagnóstico, e ainda com a orientação de fazer o teste particular. “Fez exame de sangue, diz que tá muito ruim, mas que não podia fazer o teste, que eu vou ter que fazer no particular. Mas eu estou mal, [dificuldade de respirar]. Voltei até pior do que estava quando fui na Upa. Tá brabo pro meu lado.”
Quem lê as opiniões do governo sobre ele mesmo, no entanto, chega até acreditar que a pandemia em Teresópolis está sob controle. Leitos Covid tem em sobra e sobram até leitos extras. Tudo funciona nos postos de atendimento da Saúde e os testes estão sendo feitos, bastando uma avaliação técnica. Não é o que parece. Ou o que dizem os parentes das vítimas mal atendidas no Pedrão e mesmo na Upa, onde a transferência para um leito tem sido, quase sempre, com muita dificuldade, sem contar o diagnóstico que dependeria de exames que não fazem. É comum a reclamação de pessoas que vão ao posto e voltam de lá recomendadas a voltar depois, “em caso de piorar”, ou são mandadas fazer exames em laboratórios particulares porque os exames só existem em quantidade na imprensa oficial que o governo criou para contar suas vantagens.
A fiscalização é outro problema. Quando anunciou a medida, do par ou ímpar, o governo informou que estava contratando equipes e tudo mais. As equipes, se existiram, foram vistas as mesmas em diversos pontos, fazendo registros itinerantes. Pouco depois, novo decreto do prefeito liberou os finais de CPF em restaurantes e nas ruas, onde “as equipes” não teriam mais de fiscalizar, e passando a responsabilidade aos demais comerciantes, que tiveram de contratar funcionários para cumprir a obrigação da municipalidade. A medida do par ou ímpar, aliás, liberou o povo para a rua, “no seu dia de sair”, e hoje a cidade vive como se não houvesse pandemia porque a fiscalização fecha os olhos até mesmo para as festas que vem sendo realizadas sem nenhuma repressão.
 
O governo sonega informações à câmara, que reclama mas não promove ações efetivas de fiscalização e as ações da prefeitura demonstram-se eleitoreiras e inconsequentes. Cada uma é um flash, ou uma live, algumas, inclusive, ferindo o princípio da impessoalidade. O Portal da Transparência, onde o cidadão poderia acompanhar os gastos da administração municipal, é portal de faz de conta porque é vago e o que informa é obscuro e desatualizado. Ontem mesmo, segundo os números divulgados pelo governo, os leitos extras Covid-UTI, estavam com 80% de ocupação apenas, 16 de 20 ocupados e os leitos extras Covid-Clínica médica estariam com 58% de ocupação. Se o quadro era esse porque a dificuldade em oferecer o atendimento, fazendo doentes voltarem para casa onde vão piorar o quadro, como ocorreu com a jovem Monique, morta por falta de atendimento há pouco mais de um mês. Quem garante que esses números não são fake-news? Aliás, os números da pandemia em Teresópolis, verdadeiros, são recordes no estado e na região, superando os de Petrópolis e Nova Friburgo, municípios com maior população. Até ontem foram 1296 casos, com 44 óbitos.
A falta de exames para a população e o jogo de empurra do governo, que cria dificuldades para prestar o serviço, levou o Ministério Público, por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo Teresópolis, instaurar procedimento preparatório para investigação de possíveis irregularidades envolvendo funcionárias da Divisão de Vigilância Epidemiológica do município. De acordo com o procedimento, o MPRJ recebeu notícia anônima relatando possível direcionamento de testes para Covid-19 e não cumprimento de escala de trabalho por parte de funcionários do referido órgão. O MPRJ já havia solicitado informações ao poder público, mas a resposta não foi dada. Diante disso, o MPRJ busca apurar se o caso configura mero descontrole administrativo  a ser sanado pelos controles internos do município, ou se há, de fato, favoritismo, o que ensejaria a atuação do Ministério Público para coibir eventual ato de improbidade.
Segundo a prefeitura, não procede a reclamação da falta de testes. O governo diz que “a testagem é feita em pacientes com sintomas suspeitos triados nos 4 centros de atendimento e os identificados pela autoavaliação no aplicativo ‘Minha Saúde’, adotado pelo município para monitoramento de casos em potencial de contaminação por COVID-19, e segue protocolo do Ministério da Saúde”.
Quanto ao atendimento, para se obter a testagem e o diagnóstico,  o governo diz que “desde a última sexta-feira, 19/06, Teresópolis conta com 4 centros de atendimento e testagem de pacientes com sintomas suspeitos identificados pela autoavaliação no aplicativo ‘Minha Saúde’, adotado pelo município para monitoramento de casos em potencial de contaminação por COVID-19. A capacidade de testagem dos centros de atendimento é de 80 testes por dia.
 
São eles: o centro de atendimento 24 horas do Ginásio Pedrão,  que realiza testagem no horário das 8h às 18h; Centro de atendimento do imóvel na Rua Dr. Aleixo, 85, na Várzea, de segunda a sexta, de 8h às 18h; No 2º Distrito, o centro montado na Unidade Básica de Saúde de Água Quente, que funciona às terças e quintas, de 8h às 18h e, no 3º Distrito, a unidade montada na Capela Santa Rosa de Lima, no bairro Santa Rosa, com funcionamento nas segundas, quartas e sextas, também das 8h às 18h.
 
PROTOCOLO DE ATENDIMENTO:
 
De acordo com protocolo do Ministério da Saúde, para o atendimento nos centros de triagem têm prioridade: idosos a partir dos 60 anos, pessoas com doenças crônicas, gestantes e mulheres até 45 dias após o parto.
Paciente com sintomas de Síndrome Gripal (febre, tosse, dor de garganta e dificuldade respiratória) é acolhido e avaliado, conforme protocolo de inclusão para casos suspeitos de COVID-19 ao fazer a ficha na triagem. Após classificação, pode ser encaminhado para testagem.
De acordo com a avaliação clínica, é definido se há a necessidade do isolamento domiciliar, encaminhamento para urgência e emergência (UPA 24 horas) e, nos casos mais graves, internação hospitalar através da regulação municipal. O município conta também com o SAD (Serviço de Atenção Domiciliar) e Atenção Básica, como rede de apoio.

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