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Prefeitura de Teresópolis estuda possível suspensão da vacinação em adolescentes

Data: 16/09/2021

Queiroga alega que houve diversos casos de prefeituras que aplicaram vacinas não autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Agência Brasil

No final da tarde desta quinta-feira, 16, a Prefeitura Municipal de Teresópolis, através da Secretaria Municipal de Saúde, informou que estava em contato com o Ministério da Saúde e Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro a fim de obter maiores informações sobre a recomendação de suspensão da vacinação de adolescentes sem comorbidades. “A Secretaria Municipal de Saúde também busca informações junto à Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, para orientações. Mesmo assim, Teresópolis manteve a aplicação da primeira dose do imunizante no público com 16 anos de idade, nesta quinta-feira (16), como divulgado previamente. O município segue nos esforços para imunizar toda a população contra a Covid-19, e esclarece que aguarda informações sobre as diretrizes que serão adotadas a partir desta data, na vacinação de adolescentes com 12 a 17 anos, sem comorbidades”, informa o documento.
Também no final da tarde, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que uma série de motivos pesaram para que a pasta resolvesse revisar a recomendação e suspender a vacinação de adolescentes sem comorbidades. Segundo Queiroga, foram identificados 1,5 mil eventos adversos em adolescentes imunizados. Todos eles foram de grau leve. Foi notificado um caso de morte de um jovem em São Paulo, mas o episódio ainda está sendo investigado para avaliar se a causa foi o imunizante ou não. O ministro reclamou que, a despeito da orientação anterior para que a imunização deste público tivesse início na quarta-feira, 15, já foram vacinados 3,5 milhões de adolescentes por autoridades locais de saúde.
Ele acrescentou que houve diversos casos de prefeituras que aplicaram vacinas não autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A agência só permitiu o uso da Pfizer/BioNTech para adolescentes de 12 a 17 anos. Nos registros do Ministério da Saúde, entretanto, dados enviados pelos estados mostram este público sendo imunizado com outras vacinas. “Em relação aos subgrupos, as evidências estão sendo construídas. O NHS [SUS do Reino Unido] restringiu a vacinação nos adolescentes sem comorbidades. Aqueles que já tinham sido imunizados com 1ª dose se recomendou parar por ali”, disse Queiroga.
A secretária extraordinária de enfrentamento à Covid-19, Rosana Leite, mencionou também orientação da Organização Mundial de Saúde sobre o assunto. “A OMS não recomenda, mas sugere que pode se pensar [na vacinação de adolescentes] a partir do momento que tenha vacinado toda a população, principalmente as mais vulneráveis, com duas doses”, disse.
Perguntados se a suspensão da vacinação teria relação com a falta de vacinas, os representantes do ministério descartaram essa hipótese e afirmaram que não há problema de abastecimento de doses no país. “Não falta vacina. Será que elas foram utilizadas de forma inadvertida? Provavelmente”, sugeriu a secretária Rosana Leite. 
Diante da suspensão, os adolescentes sem comorbidades que receberam a primeira dose não devem ter a aplicação da segunda dose. A orientação de interromper a imunização vale também para aqueles com comorbidades que tomaram a primeira dose da AstraZeneca ou Coronavac. Apenas os adolescentes com comorbidades imunizados com a Pfizer/BioNTech na primeira dose podem seguir com o processo de imunização e completar o ciclo vacinal, procurando os postos para receber a segunda dose.

Muita procura
Nesta quinta-feira Teresópolis imunizou jovens de 16 anos. O atendimento ocorreu no Ginásio Poliesportivo Pedro Jahara, na Unidade Básica em Bonsucesso e no Posto de Saúde em Pessegueiros. Antes dos portões se abrirem, a fila que se formou na calçada do lado de fora do Pedrão se estendeu até a ponte que liga ao terminal rodoviário. Ao contrário da última vacinação entre os adolescentes de 14, 13 e 12, que aconteceu no primeiro dia do mês de setembro, os adolescentes que aguardavam não chegaram tomar o pátio da rodoviária. Mesmo assim, muitos pais e responsáveis acompanharam a vacinação. A técnica de enfermagem Marina fez questão de dar um apoio ao seu filho José Carlos, nesse momento tão esperado. “Essa vacina é muito importante para os adolescentes, pois estamos vivendo um momento de pandemia muito grande. Devemos ter as devidas precauções e agradecer que a vacina chegou”, conta a mãe. Para José, a vacina significa um grande progresso para a população diante da pandemia do coronavírus. “Isso representa mais um passo do Brasil para combater a Covid-19 e isso é muito bom, pois em breve todos nós vamos estar vacinados”. O jovem de apenas 16 anos deixa um recado para aquelas pessoas que ainda não se vacinaram. “É importante se vacinar, busquem isso. E acima de tudo busquem as prevenções necessárias. Vacina salva vidas”. 

 

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