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Polícia de olho em grupos de blitz nas redes sociais

Data: 27/02/2018

O Comandante da Polícia Militar em Teresópolis lembra ainda que no lugar de ter o veículo apreendido por não ter quitado o devido imposto, a pessoa pode perder um bem muito mais importante, a vida - Foto Marcello Medeiros

Marcelo Medeiros

"Sabe informar se na ‘Arara’ tem alguma ‘brit’ gente, por aí? ‘Arara’, Rosário, casa do ‘hamburgui’ tem alguma ‘brit’?". "Galera, os ‘home’ tão pegando em frente, no posto perto do Celeiro aí, cuidado, tão parando tudo hein, fica ligado". "’Brit’ no ponto de ônibus do Rosário-Posse, frente casa do hambúrguer, parando tudo". "Lei Seca na frente do China, sentido Regadas". "Aí galera ‘britz’ no Porto, depois um pouquinho de Vargem Grande". "XT na subida da Ilha ali quem vai para Lama Fria, andando, pegou duas motos agora, agora". Áudios com esses tipos de mensagem têm sido comuns no principal aplicativo de mensagens instantâneas e chamadas de voz para smartphone da atualidade, o WhatsApp. Geralmente elas são compartilhadas em grupos criados com objetivo de informar onde estão acontecendo operações policiais, mas, no lugar de apenas evitar a apreensão de veículos com situação documental irregular, principal alegação de quem busca tais meios, esses alertas podem facilitar bastante a vida de criminosos envolvidos em vários tipos de delito, de roubos e furtos a assassinatos. Afinal, se alguém “que está devendo algo para a Justiça” souber onde pode ser enquadrado, vai buscar outra rota de fuga. Quem alerta para esse outro e complicado lado da história é o Comandante do 30º Batalhão de Polícia Militar.

“Isso é uma febre que acontece no Brasil todo e aqui em Teresópolis não poderia ser diferente, mas é um desserviço. Logicamente quando é operação de trânsito, o foco é a regularização do bem móvel, mas geralmente fazemos operações com foco de repressão ao tráfico, entrada de armas e outros crimes. Então, quando a pessoa avisa em grupo de WhatsApp está contribuindo para sua própria falta de segurança. Então pedimos ao teresopolitanos, que tem essa cidade como uma cidade segura, que não utilize esse serviço, não use desse artifício, que deixe a Polícia Militar trabalhar para que possa tirar da sociedade essas pessoas que fazem tão mal”, destaca o Coronel Marco Aurélio.

Mesmo sem a existência de uma legislação que reprima tal atitude, muita gente sabe que, mesmo não sendo ilegal, é pelo menos imoral. Por isso, vários desses grupos foram rebatizados com apelidos, substituindo o termo blitz por “buraco” ou “festa”. Ou seja, no lugar de alertar que “tem blitz” em determinado lugar, o internauta diz “para tomar cuidado com o buraco”, por exemplo. Atentos a tais artifícios, muitos policiais contam com informantes nesses grupos. Dessa forma, quando alguém alerta sobre a operação em determinado lugar, rapidamente ela pode ser mobilizada para outra região para tentar surpreender quem está envolvido em algo ilícito.

O Comandante da Polícia Militar em Teresópolis lembra ainda que no lugar de ter o veículo apreendido por não ter quitado o devido imposto, a pessoa pode perder um bem muito mais importante. “Ela pode perder o carro para o bandido que conseguiu fugir dessa mesma blitz, ou, pior que isso perder a vida, que é nosso bem maior. Então pedimos que quando se deparar com uma operação policial não informe em grupos de WhatsApp para que possamos cumprir nosso trabalho. Se colocamos a operação em determinado ponto, entendemos que é importante, que é passagem de traficante, que pode entrar armas, ocorrer algum tipo de crime. Vamos contribuir para que Teresópolis continue sendo a cidade mais segura do estado do Rio de Janeiro”, pede o Oficial responsável pelo 30º BPM.

Waze pode ser vetado

A Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados aprovou no ano passado um projeto de lei que transforma em infração o uso de dispositivos eletrônicos, aplicativos ou rede sociais que alertam o motorista sobre a presença de radares, policiais ou autoridades de trânsito.  O projeto de autoria do deputado Major Fábio (PROS/PB) estava em tramitação desde 2013, e prevê a alteração do Código de Trânsito Brasileiro. A análise em plenário deve acontecer ainda este ano. O texto original do projeto se referia apenas às blitzen realizadas para o cumprimento da Lei Seca. Com o passar do tempo, acabou englobando também os avisos da presença e localização de radares, policiais e autoridades de trânsito.

A comunicação desse tipo de informação via redes sociais (Como o WhatsApp) também seria considerada infração, mas essa especificidade acabou sendo retirada pelo relator do projeto, o deputado Fábio Sousa (PSDB/GO), por temor de que a medida afetasse a livre manifestação de pensamento garantida pela Constituição. Durante debates organizados pela Comissão de Ciência e Tecnologia, especialistas em tecnologia da informação afirmaram que o projeto pode criar precedentes perigosos. “O projeto de lei foi pensado na ideia básica de que as pessoas utilizam o aplicativo para escapar da blitz. Não se considerou um pneu furado em uma rua mais deserta, assalto em estradas, emergências mecânicas e médicas que poderiam ser resolvidas mais rapidamente”, disse Marcel Leonardo, diretor do Google Brasil (empresa proprietária do Waze).
A medida deve atingir diretamente aplicativos como o Waze (cuja função primordial é a navegação via GPS) e o Radardroid (específico para alertas sobre radares), entre outros. Para os aplicativos, o risco caso eles não restrinjam estas funcionalidades pode ser a proibição do acesso por parte dos provedores de internet. Já para os motoristas, está prevista uma multa de até R$ 50.000, além de sete pontos na CNH.

 

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