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Moradores da Fazenda Ermitage reclamam de valor abusivo nas contas de energia

Data: 31/08/2017

Contas da Enel apresentam valores que estão assustando os moradores do condomínio da Fazenda Ermitage - Foto Marcus Wagner

Marcus Wagner

Moradores do condomínio da Fazenda Ermitage estão assustados com os altos valores nas contas de energia elétrica a Enel está cobrando. Em alguns casos, mesmo em uma casa com apenas um morador, a soma do consumo e dos tributos chega a ultrapassar R$ 500,00. O problema está atingindo um grande número de apartamentos e a indignação é grande já que a concessionária de energia elétrica não deu qualquer solução ou alternativa para os moradores, a não ser orientar que as contas devem ser quitadas. 
Uma das pessoas afetadas pelo problema é a doméstica Francisca de Oliveira dos Santos que recebeu a cobrança no valor de R$ 499,42. Ela contou que a Enel chegou ir até o condomínio por conta da reclamação dela e quando desligaram seu relógio, a energia na casa da vizinha também foi cortada, o que pode ser parte do problema: “Moro sozinha, não gasto, de noite eu nem acendo as luzes, os quartos nem tem lâmpada ainda. Só tenho a televisão e a geladeira. Na Enel, me disseram iam corrigir, mas disseram que eu tenho que pagar esta conta, mas eu não vou pagar por uma coisa que eu não gastei. Vou ao advogado que me falou que se não consertassem a conta deveria procurar por ele. Só sei que não vou pagar”, reclamou.
Frederico Machado Lopes, síndico do condomínio, afirmou que o problema atinge um grande número de moradores, pois já recebeu vários relatos sobre valores considerados absurdos: “Tenho recebido muitas reclamações de pessoas recebendo contas de luz alta sem ter muita coisa dentro de casa. São pessoas carentes, que não tem nada, acabaram de se mudar e ainda recebem uma conta nessa situação”.
Ainda de acordo com o síndico, é possível que o problema seja causado por erros nas instalações elétricas, mas é preciso tomar os procedimentos corretos para se precaver: “Verificamos os disjuntores para ver se realmente estavam na coluna correta e muitos não estavam, isso é um fator complicador, pois como vamos saber se a pessoa gastou ou não gastou se não está na coluna correta. Estamos pedindo para que os moradores procurem primeiro a Enel para que se verifique o relógio, depois a construtora porque se o disjuntor não está na mesma coluna, a ligação já começou errada. Só depois procurar um advogado porque ele precisa ter prova de tudo aquilo que está acontecendo no apartamento dele. O mais triste para a gente é ver que a pessoa se endividou, mudou, está cheia de preocupações e agora tem mais uma pra resolver”.
Adriele Moura, síndica do condomínio ao lado, relata que pelo menos 50 moradores reclamaram de distorções no valor da conta: “Teve uma moça que falou comigo que o fogão dela não é elétrico, só tem geladeira e chuveiro que gastam energia, mas não tem microondas e essas coisas, só que a conta dela veio acima de R$ 300,00. Se você reparar na minha conta, por exemplo, que veio R$ 153,00, de consumo mesmo foi R$ 51,00, enquanto os tributos e a parte da Enel foram mais de R$ 100,00, então a gente não está entendendo o que está acontecendo”.
Adriele afirmou que os moradores pediram auxílio do Inea que está recolhendo o nome de mães com filhos pequenos para tentar incluir as residências na tarifa social, já que o condomínio foi construído pelo programa Minha Casa Minha Vida, através do governo, então todos crêem que tem direito ao desconto na conta de luz. Ela destacou ainda que há divergências também na taxa de iluminação pública, com valores diferentes entre os moradores, mas o condomínio sofre com lâmpadas queimadas em vários postes e até um lâmpada que fica acesa até durante o dia.
Enquanto isso, muitos moradores seguem preocupados sem saber o que fazer, como o aposentado Sérgio Henrique: “Nem parcelamento apareceu e R$ 317,00 é muito caro. Não tem condições de uma casa que só tem um chuveiro vir esse valor todo”.
Nossa reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação da Enel para esclarecimentos sobre os valores cobrados sobre os moradores, porém até o fechamento desta edição, não obtivemos resposta.

 

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