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Incêndio já destruiu 200 hectares na parte alta da Serra dos Órgãos

Data: 06/08/2020

Chamas criminosas nas proximidades dos Castelos do Açu, ponto de parada do primeiro dia da Travessia Petrópolis x Teresópolis - Divulgação ICMBio

Desde a última terça-feira, 04, Brigadistas do PrevFogo/ICMBio, Corpo de Bombeiros, INEA e voluntários lutam para tentar controlar incêndio que destrói a parte alta do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, por enquanto nas vertentes de Magé e Petrópolis e atingindo trechos da travessia que liga a cidade de Pedro a Teresópolis – um dos atrativos turísticos mais conhecidos da unidade de conservação ambiental. A região com maiores focos é da Pedra do Açu. No primeiro dia de combate, foram destruídos 25 hectares. Até o final da tarde desta quarta, a extensão da destruição já alcançava 200 hectares, gerando um incalculável prejuízo para fauna e flora. “O incêndio encontra-se na parte alta do Parque, na região do ‘chapadão’ com três frentes, um indo em direção ao morro da Bandeira Sentido Caxambu, outra indo em direção ao morro do ‘Graças a Deus’ sentido morro do Açu, e uma terceira frente na ‘Isabeloca’ sentido Ajax. O fogo está localizado nas vertentes que fazem divisa dos municípios de Magé e Petrópolis e atinge principalmente a vegetação de Campos de Altitude”, explica o Gerente do Fogo e coordenador da Brigada de Prevenção e Combate a Incêndios do Parque, Gabriel Cattan. 
Cerca de 70 pessoas trabalham na operação. Porém, a ampliação da destruição ocorre devido às condições climáticas, a vegetação seca e propícia ao rápido alastramento das chamas, somado à dificuldade de acesso dos combatentes de campo. Aeronaves do Corpo de Bombeiros estão sendo utilizadas para o transporte de brigadistas, militares e voluntários, além de atuar diretamente no ataque ao incêndio. Ainda não se sabe o que causou ato criminoso, mas uma das possibilidades em investigação é a de queda de balão. 
O Analista Ambiental Jorge Nascimento que atua na área de Pesquisa Aplicada e Monitoramento Biodiversidade do PARNASO e Mosaico Central Fluminense, diz que a região já foi alvo de projeto de monitoramento na época do último grande incêndio em 2014 mas que não teve continuidade por falta de pessoal. “A área de floresta montana, altimontana e de campos de altitude possui uma grande diversidade da fauna de médio e grande porte e abriga as espécies mais representativas deste trecho de Mata Atlântica, sendo área de registro de diversas espécies de carnívoros, com destaque por ser a região onde foi registrada a única onça branca (Puma concolor) do mundo (um caso de leucismo) e o sagui da serra escuro (Callithrix aurita) que é uma das 25 espécies de primata mais ameaçadas do planeta neste momento”, destaca Jorge, mais conhecido como “Julião”. Ele  Informa ainda que o Parque possui um dos mais longevos projetos de monitoramento da fauna por armadilhamento fotográfico da Mata Atlântica.

Prejuízo ambiental
O biólogo associado ao Laboratório de Ecologia de Aves e Comportamento Animal da UERJ, Edvandro Ribeiro, informa que oO incêndio está atingindo uma área de de Floresta Ombrofila Densa Altimontana muito rica, hábitat de espécies ameaçadas como Lipaugus condita (saudade-de-asas-cinza) uma espécie de distribuição muito restrita, ocorrendo somente em algumas pequenas áreas de Floresta Altimonatana do Estado do Rio de Janeiro. “A área é hábitat do bambu Graziophiton mirabile, espécie ameaçada de extinção e de distribuí muito restrita, o que realça que as perdas podem ser realmente muito grandes se o incêndio não for rapidamente controlado”, informa ainda Edvandro.
Edvandro Ribeiro (UERJ) destaca ainda que as regiões entre a Pedra do Queijo, Isabeloca e toda aquela vertente da montanha tem uma diversidade biológica importantíssima muito variada e maior que as áreas que pegam fogo com frequência sendo assim o prejuízo ainda incalculável, pois é uma região com poucas pesquisas historicamente. (Com informações da equipe do Centro de Referência em Biodiversidade da Serra dos Órgãos – ICMBio).

O Parque
O Parque Nacional da Serra dos Órgãos é uma Unidade de Conservação Federal de Proteção Integral, subordinada ao ICMBio, com amostras representativas dos ecossistemas nacionais. O PARNASO foi criado no dia 30 de novembro de 1939 e é o terceiro parque mais antigo do país. É um local que costuma ser procurado para a prática de esportes de montanha, como escalada, caminhada e rapel e para visitas às cachoeiras. Conforme o ICMBio, o parque tem a maior rede de trilhas do Brasil, com mais de 200 quilômetros em todos os níveis de dificuldade, desde a trilha suspensa, acessível até a cadeirantes, à pesada Travessia Petrópolis-Teresópolis, com 30 quilômetros de subidas e descidas pela parte alta das montanhas.
Ainda segundo o ICMBio, o Parque abriga mais de 2.800 espécies de plantas catalogadas pela ciência, 462 espécies de aves, 105 de mamíferos, 103 de anfíbios e 83 de répteis, incluindo 130 animais ameaçados de extinção e muitas espécies endêmicas que só existem no local.

 

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