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Idoso é mantido em Unidade mesmo com decisão da Justiça para internação

Data: 24/07/2018

Desde a última sexta-feira dia 13, o senhor Herbert, que era conhecido por sua dedicação as aulas de ginastica no Sesc e a sua performance no Coral que participa como soprano, precisou implorar as autoridades e apelar a Justiça para ter direito ao tratamento médico devido

Diz o nosso texto constitucional em seu artigo 196, que: “a saúde é direito de todos e dever do Estado...”, mas infelizmente, esse Estado, que compreende as instâncias de poder vigentes, não consegue cumprir essa obrigação estabelecida por nossa Lei maior. Os episódios de intervenção do Poder Judiciário na tutela de um direito que deveria ser elementar de nossa população são exemplos claros dessa falência produzida por governos inertes, incompetentes e temerários, que seguidamente vem dilapidando nossos recursos e deixando um rastro de morte e de desesperança por onde passa. Aqui em Teresópolis, um recente caso que se espalhou pelas redes sociais rapidamente e que gerou muita revolta dos teresopolitanos exprime o quanto nem mesmo a intervenção da Justiça está garantindo um tratamento de Saúde descente aos munícipes. Mesmo com decisão da Justiça para promover a internação de um idoso de 84 anos em uma unidade hospitalar capaz de prover o tipo de atendimento que o homem precisava, a secretaria de Saúde de Teresópolis manteve o cidadão internado precariamente na Unidade de Pronto Atendimento e sem a mínima condição de fazê-lo por onze dias. Desesperada, já que nem o judiciário foi capaz de ajudar a garantir o direito a um tratamento humano e descente, sua filha, dedicou os dias a chamar a atenção para o absurdo promovido em nossa cidade. Depois da ameaça clara do pedido de prisão do secretário de saúde, o homem foi transferido para o Hospital São José no final da tarde desta terça-feira, 24.
E foram centenas e milhares de manifestações de apoio. Desde que iniciou o difícil processo de busca pelo socorro ao seu pai, Herber Pires de Souza, de 84 anos, a pedagoga Sinha Maia, muito conhecida na cidade por sua defesa as causas animais e humanitárias, tem encontrado nas redes sociais um apoio para o que ela jamais pensou que iria passar em sua vida. Depois de décadas e décadas de serviços prestados ao país. Suor, dedicação, força de trabalho e saúde consumidas para que a roda da produtividade e do progresso continuasse a girar, hoje, depois de mais de oito destas décadas de vida, quando mais precisava, seu pai, diabético, hipertenso, e com a saúde cada dia mais debilitada, precisa se sujeitar a um atendimento improvisado, inadequado e que agrava a cada minuto sua já frágil condição. Desde a última sexta-feira dia 13, o senhor Herber, que era conhecido por sua dedicação as aulas de ginastica no Sesc e a sua performance no Coral que participa como soprano, precisou implorar as autoridades e apelar a Justiça para ter direito ao tratamento médico devido. E só conseguiu porque o passo seguinte seria a detenção do responsável pelo serviço na cidade.
Foram onze dias de internação na UPA, uma unidade que foi criada como uma espécie de apoio ao sistema de urgência e emergência, mas que pela completa incapacidade do homem público de prover um serviço de qualidade na área, hoje é equivocadamente vista como uma espécie de hospital ambulatório, isso sem ter a menor condição estrutural para isso. Sem um ambiente hospitalar de fato, faltam medicamentos, doses erradas são ministradas e cada ação deixa claro que quase tudo por lá é feito na base do improviso, do jeitinho, com a irresponsabilidade que levou seus idealizadores para trás das grades. Não é atoa que Sérgio Cabral e seu fiel secretário da pasta, Sérgio Cortes, considerados as mentes responsáveis pela criação das UPAs, hoje encontram-se privados de suas liberdades por promoverem juntamente com uma estrutura de governo criminosa, o maior ataque criminoso aos cofres públicos fluminenses de toda nossa sofrida história. Muito distante dessa realidade, Sinha e seu pai compartilharam esse sofrimento diário com posts emocionantes e que traduzem o quanto o homem público não consegue entender que por trás de um número de prontuário existe um ser humano que possui família, vida e uma história.
“Tudo começou através de uma mobilização judicial, onde conseguimos com o pronunciamento do Juiz Márcio Olmo, a determinação para que a transferência do meu pai ocorresse para um leito de hospital. Mas ela não foi feita no prazo determinado. Mais recentemente, em mais uma decisão, o juiz exigiu que o Oficial de Justiça fosse aos hospitais e verificasse a ausência de vagas alegada e caso contrário determinasse que alguma dessas vogas fosse ocupada por ele, mas até agora nada. É lamentável chegar a esse ponto, mas foi necessário. Ainda sob os cuidados da UPA, por exemplo, eu fiz um post onde deixava claro que não entendia a conduta médica de transferir meu pai para a sala amarela novamente, mesmo depois de já estar na sala vermelha. Em um corredor gelado, com uma pneumonia diagnosticada pelo próprio secretário de saúde, ele piorou muito nas últimas horas. Não ficou estável, além da insuficiência respiratória e da pneumonia, meu pai chegou a estar com a glicose em 400, e mesmo ele sendo diabético, sua glicose sempre foi controlada com dieta e medicamentos, a ponto dele chegou na UPA com 119 de glicose, ou seja, nunca a glicose dele subiu assim, nunca havia precisado de insulina”, descreve o quadro de saúde em decadência que sofre o pai. Sinha participou nesta terça-feira, 24, do programa Jornal Diário na TV do Canal 4 e contou o drama que viveu atualmente. 
Em entrevista, Sinha fez questão de dizer que não tem nada contra a administração atual e entende que seja mesmo muito pouco tempo para dizer se está ou não bem intencionada com suas ações de governo, entretanto, não pode deixar de exigir celeridade no caso de seu pai, que a cada minuto que passa fica mais severo. “Eu torço muito para que a nova gestão dê muito certo, até porque amo Teresópolis e quero ver essa cidade muito bem. Sou paciente do vice-prefeito e acabei de passar por uma cirurgia com ele, então tenho até um bom trato com ambos, mas eles me dizem coisas que não justificam esse tipo de demora no atendimento que meu pai precisa. A nossa lei é clara, em não havendo vaga no SUS, tem que providenciar no particular ou transferir para outro município que possua vaga, o que não se justifica a manter meu pai com a saúde debilitada que está em um ambiente que não é salutar e que não tem condições de atender ele no que ele precisa. Eu tenho muitos amigos e amigas na UPA, profissionais que trataram meu pai com carinho dedicação e fizeram de tudo para que ele não sofresse, mas nem toda a dedicação e boa vontade do mundo são suficientes para fazer daquele ambiente da UPA um lugar que cura. Lá é lugar de doença e de morte, mas não pela culpa dos funcionários e profissionais, mas pelos que estão na parte de cima, em reuniões com café e água gelada, deliberando sobre números e índices enquanto seres humanos morrem”, desabafa Sinha.

Lamentavelmente, ao pedirmos informações sobre a situação do paciente a assessoria de comunicação da prefeitura, que recentemente foi promovida ao status de secretaria, portanto com estrutura e salários dispendiosos aos cofres públicos, nos respondeu com ironias e com o mesmo distrato que vimos no relato da cidadã que buscava o direito de seu pai. Ao informarmos o nome do paciente, equivocadamente, escrevemos Herbert, e não HEBER como de fato é o nome do idoso. Ao invés de entender a gravidade da situação e responder aquilo que foi perguntado por nossa reportagem, resolveu enviar um e-mail com a seguinte questão: “Olá! Só para termos certeza: estamos falando do paciente Herber, certo? Aguardamos resposta”, e não respondendo aquilo que foi perguntado. Como se ninguém na cidade soubesse do drama vivido pela família. Cabe ressaltar que uma assessoria de comunicação não serve para “proteger” um governo e muito menos existe para apenas publicizar ações de gestão, ela tem como primazia de atuação e existência o serviço prestado a população, que é quem paga seus onerosos e, em muitos casos, desnecessários salários. Desrespeitar uma situação tão grave como a que relata essa matéria com uma postura tão incompatível com um cargo público é inaceitável e nossa editoria repudia esse tipo de atitude, claramente dispensada por alguém que não está apto para ocupar tal função. Exigimos o respeito proporcional ao que dispensamos ao departamento público de imprensa, que deve agir como elo entre o governo municipal e a população.

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