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Hospital São José recebe segunda edição de mutirão de cirurgias

Data: 01/08/2018

O Dr. Romualdo Gama explicou que as mulheres e os profissionais da saúde precisam se preocupar mais com os sintomas ligados à endometriose

Anderson Duarte

O objetivo da ação continua sendo o mesmo, ou seja, conscientizar os profissionais da área de saúde e a comunidade teresopolitana em geral sobre a dificuldade no diagnóstico e a complexidade do tratamento da endometriose. Assim, o Instituto Crispi, a Clínica Gama, o Endocentro e o Hospital São José, realizam o segundo Meeting Serrano de Endometriose, bem como a segunda edição do mutirão de cirurgias, que acontecem nos próximos dias 9, 10 e 11 de agosto, no SESC Teresópolis e no São José respectivamente. O evento, sem fins lucrativos e destinado a médicos, estudantes de medicina, profissionais de saúde e população em geral e faz parte da Campanha Nacional de Conscientização da Endometriose, doença que afeta cerca 15% das mulheres em idade reprodutiva em todo o Brasil. Assim como na primeira edição, o Mutirão de Endometriose oferece tratamento adequado para seis pacientes do SUS portadoras de Endometriose Profunda, por meio de cirurgias minimamente invasivas realizadas por uma equipe multidisciplinar, que é referência nacional no assunto, e transmitidas ao vivo para os participantes do Encontro, diretamente do Hospital São José. O médico e professor Romualdo Gama, participou do programa Jornal Diário na TV, do Canal 4, e falou um pouco do encontro e também das dificuldades que circundam a doença. 
Sofrimento, isolamento, incertezas no diagnóstico, e muita dor, esses são apenas alguns dos aspectos enfrentados por milhões de mulheres brasileiras que são acometidas pela Endometriose, e, em grande parte dos casos, sequer elas sabem disso. Segundo o especialista, um dos maiores problemas em relação a Endometriose está no seu diagnóstico tardio, assim como no tratamento multidisciplinar exigido. “No encontro, que vai contar com a transmissão ao vivo de cirurgias, vamos poder apresentar para equipes de saúde as técnicas cirúrgicas padronizadas para melhor desempenho no tratamento da Endometriose e os tipos de tratamento clínicos e medicamentosos da doença, além de podermos demonstrar a necessidade de uma equipe multidisciplinar e um hospital de grande porte para o tratamento da Endometriose. É preciso identificar as necessidades de saúde do grupo de mulheres portadoras de Endometriose e encaminhar a solução dos problemas encontrados para entidades competentes, sem essa união e mobilização fica muito difícil oferecer um tratamento digno para essas mulheres”, explica o médico Romualdo Gomes.
Dia 9, a parte da manhã é toda dedicada ao público leigo, com a seguinte programação: 9:00h  às – 9:30h – Credenciamento; 9:30h às 10:00h - Abertura do evento; 10:00h - CONFERÊNCIA 1 - O que é o atendimento da endometriose pela rede pública no Brasil - Romualdo Gama. Abertura do posto de Vacinação em parceria com o Rotary Club que irá funcionar durante o evento. 10:00h às 12:00h – Roda de conversa - Atividades direcionadas à população a cargo da equipe do Ambulatório de endometriose do Hospital São José de Teresópolis, com abertura para discussão informal e orientações à população. O evento será composto de: - Palestras de informação e conscientização sobre endometriose para a população em geral; - Mesas redondas e palestras; - Seis cirurgias de endometriose profunda com transmissão ao vivo de duas salas para o auditório do evento; - Treinamento em simuladores para médicos e estudantes de Medicina. 
O médico também explica que a doença é caracterizada pela presença do endométrio, ou seja, o tecido que reveste o interior do útero, localizado fora da cavidade uterina. Esse deslocamento faz com que ele se deposite em outros órgãos da pelve como trompas, ovários, intestinos e bexiga. Assim, todos os meses, o endométrio fica mais espesso para que um óvulo fecundado possa se implantar nele. Quando não há gravidez, esse endométrio que aumentou descama e é expelido na menstruação. Em alguns casos, um pouco desse sangue migra no sentido oposto e cai nos ovários ou na cavidade abdominal, causando a lesão. As causas desse comportamento ainda são desconhecidas, mas sabe-se que há um risco maior de desenvolver endometriose se a mãe ou irmã da paciente sofrem com a doença. “É importante destacar que a doença acomete mulheres a partir da primeira menstruação e pode se estender até a última. Geralmente, o diagnóstico acontece quando a paciente está na faixa dos 30 anos e pode levar cerca de 7 anos para ser confirmado”, explica.
Existem mulheres que sofrem dores incapacitantes e outras que não sentem nenhum tipo de desconforto. Entre os sintomas mais comuns estão as cólicas menstruais intensas e dor durante a menstruação, a dor pré-menstrual e a dor durante as relações sexuais. Para o médico, sentir dor não pode ser considerado normal para as mulheres. “A dor da endometriose pode se manifestar como uma cólica menstrual intensa, ou dor abdominal, ou até uma dor “no intestino” na época das menstruações, ou, ainda, uma mistura desses sintomas”, lembra Dr. Romualdo. Hoje, a doença afeta cerca de seis milhões de brasileiras. A Endometriose ainda é uma doença difícil de diagnosticar por meio do exame físico, ou seja, realizado durante a consulta ginecológica de rotina. Dessa forma, os exames de imagem são mais adequados para indicar a possível existência do problema, que será confirmada posteriormente por meio de exames laboratoriais específicos. Entre os exames de imagem que podem sinalizar a endometriose, destacam-se a Ultrassonografia transvaginal e a ressonância magnética. Mas segundo o médico, mesmo estes exames mais comuns exigem um profissional com especialização em endometriose. “E ainda é preciso ressaltar que a endometriose é uma doença crônica, e por isso o acompanhamento médico contínuo é fundamental”, explica.

 

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