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Famílias desalojadas no Vale da Revolta após deslizamentos

Data: 13/12/2019

Barranco no Vale da Revolta já teve dois casos de queda de terra sobre uma casa e ameaça a segurança dos moradores do terreno de cima

Marcus Wagner

Moradores do Vale da Revolta estão assustados com o perigo que estão correndo após quedas de barreiras e deslizamentos de terra causados pela chuva constante que obrigaram famílias a deixarem suas casas nesta quinta-feira (12).  Durante a madrugada, uma casa foi atingida por desabamento de uma encosta pela segunda vez em menos de um mês e os moradores saíram correndo às pressas, enfrentando água, lama e a escuridão da falta de iluminação pública.
A sede da Associação de Moradores do Vale da Revolta acabou se tornando abrigo para as pessoas que não podem retornar para as casas e não tem para onde ir. “O que está acontecendo é que eles só dizem pra procurar abrigo ou ir para casa de parentes e só isso. A sirene, mesmo com um volume muito alto de chuva que teve das 18h às 20h, deveria ter tocado, mas não foi acionada. Eles disseram que não porque o volume estava muito baixo, mas você são testemunhas de que não é isso, vocês viram a situação das casas e tem outros pontos que estão vulneráveis e de uma hora para outra podem ir a colapso”, explicou Judas Tadeu, presidente da associação.

Medo e insatisfação
Vários pontos do Vale da Revolta tiveram deslizamentos de terra onde os acessos também ficaram tomados por lama. Nossa reportagem teve dificuldade para se locomover e registrar as ocorrências e pudemos verificar ainda que havia outras famílias abandonando suas moradias, pois não podiam mais esperar que alguém da prefeitura aparecesse para ajudá-los.
“Ontem (quarta-feira) tinha 16 pessoas aqui no contêiner e voltaram pras casas. A situação aqui só não está pior porque muitas pessoas estão saindo por conta própria, eles mesmos tomaram ciência do risco. Vocês viram aqui uma família indo embora com quatro crianças e uma senhora. É muito fácil fazer monitoramento de longe. Só Deus está que está segurando a gente”, disse Tadeu, criticando ainda a postura do prefeito que nunca visitou o bairro.
O presidente da associação contou ainda que entrou em contato com o subsecretário de Defesa Civil Albert Andrade por mensagem durante a chuva, enquanto descia uma enxurrada pelas vielas do bairro e recebeu a resposta que “os valores registrados eram baixos”, mas que a situação estava sendo monitorada.

Críticas à Defesa Civil
Segundo nota enviada pela assessoria de comunicação da prefeitura, equipes da Defesa Civil estiveram no Vale da Revolta na noite de quarta-feira para acompanhar a situação quando o índice de chuva chegou a 10 mm e só deixaram o local quando baixou, retornando na quinta-feira para uma nova avaliação.
Albert alegou ainda que a Defesa Civil “constatou que as famílias em questão tinham retornado para suas casas que, inclusive, já haviam sido interditadas pela Defesa Civil há cerca de 20 dias”, o que foi rebatido por Tadeu: “Estão querendo nos esconder, era para eles estarem aqui acompanhando, mas só ligaram para mim dizendo que iam demolir a casa, mas não vão derrubar nada enquanto não derem um lugar para eles ficarem ou um aluguel social. A prova de que aconteceu alguma coisa é e que as famílias estão aqui. Eu pedi quatro colchões para essas famílias, mas eles disseram que tem que pedir no Rio de Janeiro, todo um procedimento para dar esses colchões. Então vou me virar e eu mesmo vou arrumar, mesmo que tenha que comprar fiado”.

Ajuda pouco eficiente
Segundo informado pela assessoria, as famílias desalojadas foram cadastradas no Aluguel Social e com relação aos colchões, “seriam solicitados ao governo estadual, visto que a nova politica do Governo do Estado prevê que esse material será armazenado em uma central única para distribuição sobre demanda”.
Além do medo de que possa ocorrer uma tragédia no local, o líder comunitário também reclama do descaso do prefeito com os moradores: “Ele está pensando em Natal de luz, quando eu estou pensando no Natal de fome da minha comunidade, com pessoas dentro de um abrigo sem ter nada. Quem tem que dar todo o provento para eles sou eu. É um monitoramento distante e parece que estão com medo do povo, a gente que elegeu eles. Estão querendo esconder nossa realidade, temos 70% da comunidade vivendo em escape de morro. Eles só querem fazer Natal de luz, shopping iluminado, a casa rosada iluminada e a gente aqui vivendo no breu sem enxergar um palmo à frente com água passando no joelho”.

 

 

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