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Ex-pichadores criam grupo para promover a cultura do Grafite

Data: 25/09/2019

Em entrevista ao Jornal Diário na TV, Alexandre Almeida e Ronan Fonseca, fundadores do grupo e ex-pichadores, explicaram como o problema pode ser combatido e transformado em uma arma social

Anderson Duarte

Infelizmente temos hoje uma das cidades mais pichadas de todo o interior do Rio de Janeiro, o que não combina em nada com as características turísticas e históricas de nosso município. A ausência de políticas públicas de combate à prática seja no âmbito social ou na área da segurança, agravou ainda mais a cultura do vandalismo e da depredação promovida por criminosos com latas de spray nas mãos, mas se depender do grupo Movimento Grafite Terê, essa realidade não vai continuar e aqueles que hoje são transgressores podem ser artistas completos e profissionais desta valorizada modalidade artística. Em entrevista ao Jornal Diário na TV, Alexandre Almeida e Ronan Fonseca, fundadores do grupo e ex-pichadores, explicaram como o problema pode ser combatido e transformado em uma arma social.
Mas afinal, qual a diferença entre o grafite e a pichação? Segundo os criadores do grupo, diferente da simples demarcação de território e conquista de espaço que representa a pichação, o grafite é uma forma de arte complexa e baseada em desenhos, ou seja, todas as letras e figuras que são utilizadas na pintura são pensada e elaboradas, para que representem aquilo que o artista quer mostrar. “Não são apenas latas de spray nas mãos, o Grafite como arte urbana utiliza elementos de criação dos mais diversos e é capaz de promover a harmonia entre os mais diferentes ambientes, por isso pode ser feito numa parede de escritório, num muro de escola, até mesmo na fachada de um prédio de vinte andares. É uma modalidade artística onde a tela pode ser um objeto urbano abandonado, uma Praça sem vida, ou seja, não tem limites”, enaltece Alexandre, também conhecido no meio como Gato.
Veterano das pichações, mas que deixou no passado suas ações de vandalismo, Ronan Fonseca, o Dimo, faz questão de falar das suas marcas pela cidade, algumas com mais de vinte anos, com muita tristeza, e repassar essa mensagem para os mais jovens. “A gente conversa muito com a molecada. A gente passa muito do que já vivemos, e tenta colocar na cabeça dessa rapaziada que o problema causado pela cidade é maior do que imaginamos, e que leva além do prejuízo aos proprietários dos imóveis ou objetos atacados, um prejuízo maior para a cidade como um todo. Mas esse projeto precisa de apoio para crescer e fazer com que essas crianças não optem pela obscuridade e contribuam para uma cidade mais linda”, lembra Ronan. A pichação sempre trouxe controvérsia, sendo para algumas pessoas uma diversão e forma de expressão típica da juventude, enquanto para muitas outras, inclusive nosso sistema legislativo, um ato de vandalismo e criminoso.
A expressão cultural do grafite surge nos anos setenta em Nova Iorque, mas hoje, amplamente divulgada em todo mundo, já oferece espaços exclusivos e com tratamento de valiosas obras de arte. Destaques mundiais vem do Brasil como o cultuado Eduardo Kobra e seus murais espalhados pelo globo e os Gêmeos, preferidos entre as celebridades. Já por aqui, o Movimento Grafite Terê quer começar mudando nossa realidade, como nos recentes trabalhos da Beira Linha, onde o antigo túnel virou um grande painel de grafite e na Praça do Cemusa, em São Pedro, onde o muro da quadra virou uma galeria a céu aberto. “Esses dois trabalhos em especial mostraram o quanto o grafite pode deixar nossa cidade mais bela, e como nossos jovens podem efetivamente participar hoje do grupo e fazer a diferença de verdade”, lembra Gato.
Apesar de continuarem se tratando pelos seus nomes de “guerra” da pichação, os membros do grupo hoje não querem mais apenas deixar uma marca numa parede, mas uma duradoura marca na vida dos jovens que deixarem a pichação de lado, não desejam tão somente alcançar os prédios e muros mais altos, mas elevarem suas formas artísticas ao nível alto que sempre desejaram, enfim, o trabalho, além de belo é também social e cada cidadão teresopolitano pode ajudar, apenas apoiando as ações e facultando espaços para que seja colocada em prática a arte do grafite e assim esquecer de vez o vandalismo da pichação. E para quem ainda acredita que não se trata de crime, a Lei 9.605/98 no artigo 65, traz as pichações como parte dos crimes contra o ordenamento urbano, patrimônio cultural e meio ambiente. Quem comete esse tipo de crime, segundo essa Lei, deve receber detenção, variando de três meses a um ano, além de pagar multa. Já o grafite, segundo o parágrafo segundo desta mesma lei, não é considerado crime caso tenha o objetivo de valorizar um patrimônio, seja ele público ou privado, desde que a prática seja aprovada pelo proprietário, no caso de um bem privado, ou pelo órgão responsável, se for um bem público.

Ex-pichadores “Gato e Dimo” criam grupo para promover a cultura do Grafite. Movimento já fez intervenções em praças esportivas, muros e agora quer transformar os transgressores em artistas completos

 

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