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ENDOMETRIOSE: Juiz de Fora é referência nacional

Data: 28/09/2019

A cidade de Juiz de Fora - MG, é referência nacional no atendimento a mulher vitima de Endometriose. E um dos maiores especialistas do setor, explica a nossa reportagem como a doença cresceu e se tornou um desafio para a mulher brasileira

Anderson Duarte

Nossa reportagem percorreu os quase 140 quilômetros que separam os municípios de Teresópolis e Juiz de Fora, em Minas Gerais, para tentar entender o que faz daquela cidade uma referência nacional no atendimento, tratamento e na recorrência de intervenções cirúrgicas em mulheres que são acometidas pela Endometriose. Uma das doenças que mais cresce em termos de diagnóstico em nossa região, também é hoje uma grande caixa de dúvidas, incertezas, desesperanças e preconceitos, com mulheres muitas vezes incapacitadas pelo elevado nível de dor e famílias rachadas e desestabilizadas pelo diagnóstico do problema. Fomos recebidos em terras mineiras por um dos maiores nomes do país neste tipo de especialidade, o médico Josélio Vitoi Rosa, que no Hospital Monte Sinai comanda uma equipe multiespecialidade que realiza diversas cirurgias do tipo com grande frequência. Dr. Josélio explicou o que é a doença, como ela está inserida no nosso dia-a-dia e porque Juiz de Fora se destaca nacionalmente hoje.
No intervalo entre uma cirurgia e um atendimento em seu consultório na Clinica Nidus Medicina Reprodutiva, conversamos com o especialista que com a didática de um professor falou sobre assuntos polêmicos e sensíveis que envolvem a doença, tais como a possibilidade de gravidez pós-cirurgia, a relação da família com o diagnóstico e a dificuldade de acesso ao tratamento por meio do Sistema Único de Saúde. Como todo mundo tem feito hoje em dia com relação a doença, preguntamos ao médico, o que efetivamente é a Endometriose e como ela pode ser diagnosticada precocemente como indica a Organização Mundial da Saúde.


“É preciso entender em primeiro lugar, que mesmo com muitas pesquisas e inovações tecnológicas na área médica, ainda assim, pouco se sabe sobre a Endometriose. Ela acontece quando o endométrio, ou seja, o tecido que reveste a parede interna do útero, é eliminado durante a menstruação e passa a crescer fora da cavidade uterina, nos ovários, trompas, intestino, bexiga e até em outros espaços do organismo. Assim, esse endométrio que, mensalmente, acumula-se dentro do abdômen provoca um processo inflamatório na pelve, podendo levar à aderência entre os órgãos dessa região. Mas seu principal sintoma é a dor, muitas vezes insuportável, principalmente pelo enrijecimento dos tecidos”, explica o médico.
Segundo as estatísticas do Ministério da Saúde, que infelizmente ainda são pouco conclusivas, a doença atinge de 10% a 15% das mulheres em idade reprodutiva, e a literatura mostra a doença como causa de cerca de 40% dos casos de infertilidade feminina. Cada mulher tem um tipo de acometimento, mas o tempo de desenvolvimento médio da doença no Brasil, até o diagnóstico inicial é de seis anos. Com isso, os casos mais graves têm sido cada vez mais frequentes. “Basicamente dois aspectos têm sido preponderantes nesta maior incidência da doença em nosso país: em primeiro lugar está o fato de as mulheres estarem deixando para cada vez mais tarde a gravidez, enquanto nós sabemos que a gravidez tem uma ação que dificulta a endometriose crescer; mas principalmente pelo fato de estarmos mais cientes da existência da doença. Hoje todo mundo sabe da possibilidade da endometriose, ou seja, está com uma dor mais acentuada esse vira um possível problema a ser combatido. Sem falar evidentemente no avanço das técnicas de exames de imagem e no aprimoramento dos profissionais da área”, enaltece.

- Diagnóstico e a possibilidade de uma gravidez pós-cirurgia

Desconfiar da doença precocemente é o maior desafio, pois a endometriose pode ser assintomática e só descoberta quando a mulher não consegue engravidar. Mas ainda assim, entre as mulheres diagnosticadas surge o grande medo da infertilidade em virtude do problema. Segundo Dr. Josélio, nem sempre essa é uma realidade, na verdade, na grande maioria das vezes não. “Não é o diagnóstico da Endometriose que vai representar automaticamente a impossibilidade de uma gravidez para esta mulher que se submeterá possivelmente a uma cirurgia ou tratamento. Na verdade, um grande percentual das mulheres que fazem a cirurgia de Endometriose acaba engravidado naturalmente, apenas algumas poucas terão que recorrer a fertilização in vitro, mas é importante dizer que o tratamento medicamentoso não é o mais indicado quando da possibilidade de nova gravidez futura, e sim o cirúrgico”, explica e acrescenta o médico.
“Há tratamentos em nível clínico, com analgésicos e hormônios, mas, em geral, a melhor solução mesmo é a intervenção por vídeo. Essa técnica dá melhor visão do comprometimento dos tecidos, evitando possíveis complicações, com imagens ampliadas e o resultado mais importante é para a paciente, que tem recuperação mais rápida e tranquila, pois, mesmo nas cirurgias mais complexas ela não fica mais que cinco ou seis dias internada em observação, deixando o hospital, em geral, livre da dor", explica o especialista que também alerta para o problema na “naturalização” da dor.
“Uma coisa muito importante para alertar é a “naturalização” da dor, ou seja, aquela máxima de que a cólica não impede a mulher de ter um dia normal, uma vida natural. E não se mede a intensidade dessa dor. A dor no fundo da vagina durante a relação sexual, intestino solto ou muito preso durante a menstruação, dificuldade e dores para evacuar ou urinar neste período, desconforto contínuo na barriga ao longo de todo o mês, são alguns dos sintomas comuns e que nem sempre aparecem em conjunto. A gravidade da doença está diretamente relacionada à intensidade dos sintomas e ao histórico familiar que também deve ser considerado, sem contar o nível de dor”, explica.
O médico lembra que são quatro classificações para a doença, sendo as mais graves as de nível 3 e 4, que atingem diversos órgãos da pelve e exigem uma equipe multiespecialidade para a realização dos procedimentos. As intervenções podem durar de cinco a seis horas e são feitas, em 99% dos casos, por vídeolaparoscopia. Todas exigem instrumental especializado e exames diagnósticos anteriores que ajudam a definir o alcance das lesões e os especialistas a serem envolvidos na cirurgia. O procedimento cirúrgico de endometriose é de alto custo e numa condição particular pode chegar a custar até sessenta mil reais.

Fomos recebidos em terras mineiras por um dos maiores nomes do país neste tipo de especialidade, o médico Josélio Vitoi Rosa, que no Hospital Monte Sinai comanda uma equipe de multiespecialidades 

- Dificuldade de acesso ao tratamento no SUS

O alto custo e a ausência de especialistas na área são dois fatores apontados por Dr. Josélio como sendo preponderantes nesta quase “inacessibilidade” dos pacientes SUS aos procedimentos e terapias. Segundo o médico, algumas parcerias realizadas com institutos e a grande quantidade de profissionais formados com essa atuação levaram a cidade de Juiz de Fora e região se tornarem referência no que diz respeito a Endometriose. De acordo com o médico e professor, no Brasil inteiro, quem quer trabalhar com a área busca a cidade e suas Universidades para essa especialização, o que evidentemente propicia maior capilaridade neste atendimento, principalmente na área SUS, em virtude da atuação destes institutos parceiros e de pesquisa. Mas, o custo, segundo o Dr. Josélio, ainda é um grande problema.
“Considero que o grande problema do acesso à cirurgia para endometriose está no fato de o ideal para a realização deste procedimento estar nas intervenções via vídeolaparoscopia. Isso dificulta muito, uma vez que poucos ginecologistas fazem procedimentos por vídeo, e entre os que fazem, um menor número ainda tem as condições e habilidades necessárias para a intervenção. Além de conhecer a anatomia profundamente, é preciso saber sobre vasos sanguíneos, inervações e a iniciação neste tipo de especialização exige pelo menos cinco anos de experiência anterior em vídeolaparoscopia. Mas esses procedimentos também infelizmente são muito caros, o que evidentemente deixa muito difícil a disponibilização via SUS”, lamenta.

 

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