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Descontos nas mensalidades escolares durante a quarentena: Um tiro no pé?

Data: 29/04/2020

* Doutor em História das Ciências e da Saúde pela Fiocruz, Professor da rede pública estadual

André Braga *

Desde a decretação da suspensão das aulas um fenômeno muito comum ocorreu com alguns responsáveis de alunos de escolas particulares, de um dia para o outro ficaram sem fonte de renda segura e passaram a se preocupar em como honrar o pagamento das mensalidades dessas instituições. Um subproduto deste fenômeno ocorrido nas secretarias escolares, não apenas em Teresópolis, mas em todo o país, são os micros movimentos de alguns pais pedindo, ou em alguns casos exigindo, descontos nas mensalidades enquanto durar o isolamento social e consequentemente a interrupção das aulas presenciais. Este movimento que é extremamente legítimo e deve ser recebido pela instituição de ensino com extremo zelo, é na verdade um grande tiro no pé, principalmente daqueles que verdadeiramente se preocupam com a qualidade do ensino ofertada às nossas crianças e jovens. 
A rede de ensino privada de qualquer cidade brasileira, portanto, Teresópolis não é diferente, é composta por instituições de grande, médio e pequeno porte. Esta classificação é feita a partir do número de alunos que estas instituições possuem. Tendo este parâmetro como critério de classificação, de um lado podemos deduzir que escolas com muitos alunos possuem uma grande estrutura física e uma arrecadação financeira superior as demais. Por outro lado, no extremo oposto, as escolas com poucos alunos têm estruturas reduzidas e pouca arrecadação. 
Obviamente que tal classificação não leva em consideração o lucro líquido de cada instituição. Mesmo as escolas maiores podem ter custos muito altos para manter sua estrutura, ou até mesmo um alto nível de endividamento e, portanto, parte significativa de sua arrecadação é retida em grande medida pelos seus próprios custos operacionais e/ou de investimento de expansão do próprio negócio. Contudo, uma coisa é certa, as escolas de pequeno porte certamente trabalham no limite de sua capacidade financeira e com isso qualquer diminuição de arrecadação pode ser fatal.
Neste momento o(a) prezado(a) leitor(a) pode estar indagando: mas com a instituição fechada o custo operacional não diminuiu? A resposta é: sim e não. 
Quanto menor o porte de uma escola, maior será a proporção de seu custo mensal com a folha salarial, principalmente com o corpo docente. Tais despesas podem representar cerca de 70% a 80% de todas os seus gastos correntes. Ora, com as atividades on-line essas despesas permaneceram. Segundo ponto a ser observado é em relação aos 20%, 30% das demais despesas. Destas um dos maiores custos é o aluguel, que também permaneceu intocada; bem como o pagamento dos materiais didáticos encomendados no início do ano.
Agora, mais uma vez, o(a) prezado(a) leitor(a) me indaga: as escolas não tiveram nenhuma despesa reduzida? Sim, é claro que tiveram, as despesas com energia elétrica, com o consumo de água e materiais de limpeza. E isto representa uma ínfima despesa se comparada com as demais. 
Dessa forma, é preciso dizer em “alto e bom som”: com tais descontos as escolas de menor porte podem quebrar e com isso obrigar aos(as) professores(as) a ter que recorrer a outras profissões para sobreviver. É a “tempestade perfeita”. Quando tudo isso passar (e vai passar) onde seus filhos e filhas estudarão? Eu te digo. Nas escolas grandes que suportavam os descontos pedidos. Porém, com menor concorrência, com a possível quebradeira das instituições pequenas, o preço cobrado pelas mensalidades será mais alto e aquela vantagem conseguida naquele desconto durante o isolamento social se transformou em custo a mais durante os próximos anos. Caso não consiga pagar, a saída é a sempre presente rede pública. 

 

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