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Clarissa Lima lança dois livros durante Bienal Internacional

Data: 30/08/2017

Clarissa apresenta o livro ?Cor de Pele II?, que oferece a chance de se conhecer o passado para compreender o presente e transformar o futuro - Foto Divulgação

Anderson Duarte

A teresopolitana Clarissa Lima terá duas obras lançadas durante a maior festa literária de nosso país, a Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que começa amanhã na capital. Os livros “Cor de Pele II” e “Do Gelo ou do Fogo?” estão entre os principais lançamentos do evento que transforma o Riocentro na capital da literatura em sua 18ª edição. Este ano serão mais de 330 autores e convidados, participando de 360 horas de programação e o público vai de Youtubers e humoristas a historiadores e filósofos, há espaço para todos os gostos e estilos nessa festa.
Com uma inquietante nova questão sobre as práticas que podem efetivamente mudar a realidade da educação no país, Clarissa apresenta o “Cor de Pele II”, que oferece a chance de se conhecer o passado para compreender o presente e transformar o futuro. “Este livro partiu de uma inquietação: Por que as professoras da Educação Infantil tem o menor salário diante todos os outros segmentos da educação? Busquei a resposta na história da educação infantil paralela a história das mulheres negras. As mulheres negras sempre tiveram a tarefas dos cuidados desde a casa grande e depois nas casas das elites. É um livro que estou muito feliz por tê-lo escrito. Demonstra que o estigma racial é muito presente na educação, na educação infantil, sobretudo nas mulheres negras”, explica Clarissa. “Cor de Pele II” ganhou o selo "Francisca Júlia" da editora Autografia por ser reconhecido como empoderador para as mulheres e conta com o depoimento do pianista Jonathan Ferr e de outras personalidades que driblaram o racismo na trajetória escolar.
Já quando se refere a obra “Do Gelo ou do Fogo?”, a escritora não esconde a empolgação: “Ah, este é o meu xodó! É o meu primeiro livro infantil. Escrevi com muito amor, assim como os outros, mas para ser contado por adultos que com todo o amor queiram formar crianças com respeito a sua identidade racial e a do outro”, enfatiza a professora. Em 2015, quando lançou Cor de Pele, Clarissa encontrou durante a Bienal muitos teresopolitanos que conheceram a sua história a partir das páginas do Diário e disse estar ansiosa para repetir a dose este ano, desta vez com uma responsabilidade dupla. Em sua primeira obra, a professora trouxe debates importantes para que através da valorização das diferenças pudessem ser criadas oportunidades iguais.
“É um livro de educação étnico-racial, onde falo das omissões raciais tão presentes ainda nas escolas, sobretudo de Educação Infantil, a partir do lápis cor de pele que é apresentado às crianças para a elaboração do esquema corporal ou auto retrato. O livro foi muito bem aceito. Está na segunda edição nas livrarias Cultura, Saraiva e Travessa, além da loja virtual da editora Autografia”, explica Clarissa, que é professora, especialista em psicopedagogia aplicada à escola e em relações étnico-raciais. Ela também destacou que a omissão da cultura e da história negra nos currículos escolares, que segundo ela começa no ensino fundamental e passa pelo ensino médio, também está enraizada na sociedade hoje. "A história que estudamos é uma versão. No livro, imagino como seria a história contada pelos índios", disse.
Clarissa também traz na obra histórias de negros bem-sucedidos em suas profissões, como o desembargador Paulo Rangel, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro; o músico Da Gama, ex-integrante do grupo Cidade Negra, e o procurador do Trabalho Wilson Prudente. À frente do Movimento de Cultura Afro-Brasileira de Teresópolis, Clarissa, que é filha de um gaúcho com a advogada Rosa Maria, um dos ícones da luta negra em nossa cidade e no estado, sendo negra e nordestina, também desenvolve um trabalho de resistência, empoderamento, valorização da cultura negra e resgate da autoestima das mulheres negras. "Eu abordo no livro como a educação, de uma maneira geral, não fala da nossa origem. Só é colocado que o cabelo negro é ruim, que a pele negra é feia. Não há uma explicação sobre a pele ser escura para proteção contra o sol, por exemplo. Então, você não se entende, não quer fazer parte e se rejeita", afirmou.
A Bienal está com muitas novidades e para os jovens, além de nomes que já agitaram a última edição, como Kéfera e Felipe Neto, há expectativas para o que vão apresentar os novatos no pedaço como a atriz Marina Ruy Barbosa, que lançará no evento o livro de reflexões “#Inspirações”, pela editora Objetiva. O cardápio não é menos generoso com o público adulto, que terá como opções desde os temas mais leves, como a culinária de Rita Lobo, até os mais densos, como um debate com Deltan Dallagnol, o procurador da Lava Jato no Rio. Também vão marcar presença nomes como Arthur Xexéo, André Trigueiro, Fabrício Carpinejar e Ruy Castro. Sem esquecer dos veteranos Maurício de Sousa, Ziraldo e Ana Maria Machado, pratas da casa. Entre os autores internacionais, destacam-se Paula Hawkins – que vendeu mais de 20 milhões de exemplares com a publicação “A garota do trem” e Jenny Han, autora do fenômeno “Para todos os garotos que já amei”. Também virão Pepetela, Abbi Glines, Gayle Forman e outros.

 

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