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Carnaval 2018 não terá desfile das escolas de samba

Data: 22/01/2018

Paulo Lima, presidente da Leões da Tijuca e diretor da Lest, reclama do esquecimento das escolas de samba de Teresópolis

 

André Oliveira

Contrariando a marchinha... “Esse ano vai ser igual aquele que passou”... Afinal de contas mais uma vez o Carnaval de Teresópolis não deverá contar com a alegria dos foliões que embala o desfile oficial das Escolas de Samba do município. Sem arrecadação suficiente sequer para pagar os servidores públicos, a Prefeitura sequer sinaliza qualquer possibilidade de custear o evento e nem oferece qualquer estrutura física ou mesmo de pessoal para que o evento aconteça. Até as maiores tradições, como os blocos Piranhas da Serra e Bebe Rindo estão novamente ameaçadas. Pelo jeito, será mais uma grande Quarta-feira de Cinzas.
No ano de 2010, último em que escolas de samba desfilaram para a população, havia dez escolas de samba na cidade. Bambas da Serra, Cala Boca, Rainha do Alto, Imperatriz do Perpétuo, Gaviões da Colina, Unidos do Rosário, Leões da Tijuca, Unidos da Barra, Santa Cecília e a Roseira Imperial. A última levantar o título foi a Bambas da Serra. No ano seguinte, embora houvesse expectativa de que o desfile acontecesse, ele acabou sendo cancelado por conta da tragédia das chuvas. Desde então as escolas ficaram de lado e nunca mais pisaram na avenida.

Sete anos
Presidente do Conselho Deliberativo da Liga das Escolas de Samba de Teresópolis – Lest - e também presidente da Escola Leões da Tijuca, Paulo Lima não esconde a saudade dos tempos em que as escolas animavam o carnaval da cidade. “O problema é muito sério. Nós estamos há sete anos sem o desfile das escolas de samba e isso deixa a gente chateado. Não é só as escolas, mas também os blocos tradicionais que foram proibidos de fazer seus desfiles. A gente entende que Carnaval não é um gasto, mas sim um investimento. Nós tínhamos aqui o carnaval mais harmonioso entre as escolas do Estado. Todos os presidente estão muito chateados com isso, assim como os responsáveis pelos blocos. Os prefeitos que passaram não querem conversar e a Câmara ignora. Ninguém fala em retornar com os desfiles. Todo nosso patrimônio se perdeu em um depósito na Prefeitura. Hoje, pra retornar, precisaria de um financiamento. Dizem que a prefeitura não tem que bancar, mas discordo. Precisamos do apoio moral, na estrutura, e financeiro, já que perdemos tudo que tínhamos no depósito”, opina o representante. 

Unidos pelo samba
Segundo Paulo, autoridades deveriam estar sensíveis a situação das agremiações e fazer algo para que as atividades das escolas sejam retomadas. “Todos deveriam se unir: escolas, blocos e apertar as autoridades. Só funciona assim. Agora, nesse ano político, eles lembram da gente pra fazer os sambinhas das campanhas. É hora de pressionar por que depois eles esquecem de novo. A falta das escolas é uma grande decepção para a população de Teresópolis. Tá na hora de parar de pensar em tragédia e olhar para frente. Sempre que procuramos as pessoas elas alegam isso”, relata Paulo. Segundo ele, faltaria vontade política dos homens públicos para que as escolas voltassem às passarelas. “Nenhum prefeito deixou qualquer legado para as escolas, seja um barracão para guardar os carros ou mesmo um terreirão do samba. Como nós vamos nos virar sozinhos assim? A prefeitura teria que ajudar”, reconhece Paulo.
O diretor da Lest lembra que, mesmo com apoio da Prefeitura, sempre foi muito difícil fazer Carnaval em Teresópolis. “Na realidade, sempre foi feito de última hora para colocar as escolas na avenida; A gente sempre aceitou por que quem ama sua escola fica maluco quando vê ela na avenida. É como um filho arrumado e pronto pra sair. Porém, os caras não querem nada”, lamenta. Segundo Paulo, foi criado um projeto e encaminhado à secretaria de Cultura para organizar um único desfile com todas as agremiações representadas, porém não houve resposta.

 

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