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Caçadores estão agindo em área do Parque Nacional

Data: 19/07/2018

Trabuco encontrado pelo dono de um sítio dentro de sua propriedade, a cerca de 50 metros do imóvel principal

Marcello Medeiros

Família residente em um sítio às margens do quilômetro 94 da Estrada Rio-Teresópolis, dentro da área que está compreendido o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, procurou a imprensa para denunciar a presença de caçadores na região. Dias após ouvir diversos tiros na mata, o dono do imóvel na localidade do Garrafão se surpreendeu a encontrar armadilhas dentro da sua propriedade, entre elas um trabuco que poderia tirar a vida não só de animais, mas ferir fatalmente moradores da região. Também foram recolhidas arapucas feitas e madeira e que também poderiam causar grandes danos em quem passasse por elas. Além dos perigosos artefatos em uma área protegida por uma unidade de conservação ambiental, mesmo que ainda ocupada em alguns trechos, o que chama a atenção é que as arapucas denunciadas ao jornal O DIÁRIO estavam montadas bem próximo ao sítio. “Ao longo destas últimas três semanas que passaram vi relatos de moradores da região afirmando terem ouvido tiros na mata, tendo inclusive um cachorro sido baleado, por conta disto. Domingo dia 15 de julho, caminhando em meu terreno, me deparei com uma armadilha, a uns 50 metros de minha casa! Invadiram o meu terreno e fizeram esta armadilha no local. Descobri casualmente caminhando pelo lugar. Poderia ter sido alguém da minha família, meus filhos, minha mãe! O Garrafão tem um histórico antigo de caçadores e armadilhas na mata, inclusive com prisões em flagrante. E agora está se tornando frequente e muito perigoso”, denunciou o empresário Rudolf Peter.  
No documento encaminhado para o jornal O DIÁRIO e também para órgãos como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o  reclamante lembra ainda que animais são mortos desnecessariamente,  com a finalidade do prazer e comercialização.  “A morte dos animais na maior parte das vezes é lenta e cruel. Em muitos casos os animais não morrem com um único disparo, então fogem feridos e morrem agonizando após horas ou dias de sofrimento. Os animais sobreviventes sofrem mutilações, como o caso do cãozinho atingido semana passada. Sem contar que estes disparos podem atingir pessoas não envolvidas na caçada, moradores locais e crianças inclusive”, pontuou.
Importante destacar que tal região é muito procurada pelos adeptos de esportes em meios naturais por conta das opções de trilhas e cachoeiras. No Verão, as quedas d´água do Rio Iconha são bastante visitadas, inclusive por grupos levados por guias turísticos para a prática de rapel nas cachoeiras e mergulhos nos gélidos poços na área do Garrafão. Um pouco mais distante, mas também nessa região, fica a conhecida Cachoeira da Concórdia.

Posicionamento do Parque Nacional
Entramos em contato com a direção do Parque Nacional da Serra dos Órgãos para buscar um esclarecimento sobre a preocupante situação que pode vitimar não só moradores daquela comunidade, mas colocar em risco o cada vez maior número de visitantes nos atrativos na área da unidade de conservação ambiental e, logicamente, causar grandes prejuízos à fauna local. O Analista Ambiental Leandro Goulart, Chefe do PARNASO, lembra que na localidade do Garrafão “há um conjunto de propriedades particulares inseridas nos limites do parque, uma área, portanto, pendente de regularização fundiária (visto que, idealmente, todo o Parque deveria ser propriedade pública), o que gera uma maior probabilidade de ocorrência de infrações ambientais, em virtude do alto grau de presença humana”.
Ainda segundo o gestor, desde meados do ano passado, o PARNASO vem intensificando ações de gestão junto ao Garrafão, informando o seguintes pontos: Avaliação, monitoramento e fechamento para veículos automotores na trilha Limoeiro-Concórdia, atendendo a pedidos de moradores, que se queixavam dos impactos ambientais causados na trilha por motos e carros. A trilha está fechada para conter tal degradação, em parceria com os moradores, e se iniciarão em breve ações de restauração ambiental in loco; Melhoria/atualização da sinalização ambiental no Garrafão (implantação de novas placas); Aumento da participação dos moradores do Garrafão junto à gestão do Parque. Pela primeira vez desde o início de funcionamento do Conselho Gestor do PARNASO (órgão colegiado consultivo, com participação da sociedade civil) há um conselheiro representando o Garrafão atuando como titular neste colegiado; Manejo ambiental: A Câmara Técnica de Turismo e Montanhismo e a Câmara Técnica de Recuperação Ambiental (comitês de apoio temático do Conselho Gestor) estão discutindo junto aos moradores do Garrafão e a operadores de turismo local e regional o ordenamento de atividades de rapel nas cachoeiras do Garrafão; Há uma pesquisa de longo prazo na região, desenvolvida pelo Laboratório de Vertebrados da UFRJ, que vem constatando um bom estado de conservação da fauna local; Parceria junto à Prefeitura Municipal de Guapimirim (Secretarias de Meio Ambiente e Turismo), para o ordenamento ambiental e urbano da localidade - neste sentido, foram realizadas no primeiro semestre "Operações Verão", com a presença de guardas municipais designados para ordenamento local em momentos de maior uso das trilhas e cachoeiras; Vistorias nas trilhas, nas quais, até o momento, não foram constatados impactos relevantes sobre a fauna e a flora locais.
“Apesar de todas ações acima descritas, a área está sujeita à ocorrência de infrações ambientais. A denúncia apresentada pelo morador acerca da presença de artefatos de caça é grave. Tal denúncia será devidamente investigada, visando a identificação e a penalização de autores e a cessação de tal ameaça à biota da UC”, destacou ainda Leandro Goulart, informando que denúncias do tipo podem ser apresentadas através do telefone (21) 2152-1100, e-mail parnaso@icmbio.gov.br ou nas próprias reuniões do Conselho Gestor do Parque Nacional da Serra dos Órgãos.

 


Frutas colocadas para atrair animais. Nota-se que as frutas não estão deterioradas, indicando que ação foi recente

 

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