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Bebê abandonado em servidão já tem novos pais

Data: 08/08/2020

O menino recém-nascido foi socorrido por moradores do local e, com a ajuda da guarnição

Marcello Medeiros

A semana começou com uma notícia que impactou o teresopolitano. Um menino recém-nascido foi deixado ao relento, na gélida manhã da última segunda-feira, correndo ainda o risco de ser mordido por algum animal em uma servidão acessada pela Rua Ipojuca, no bairro de Agriões. Encontrado por moradores do local, que foram acordados com o seu choro, foi socorrido, ganhou roupas e um cobertor e encaminhado para o pronto socorro do Hospital das Clínicas pela equipe da guarnição “Guardiões da Vida”, do 30º Batalhão de Polícia Militar. Apesar do grande risco que correu, estava bem de saúde e passou a ser olhado de perto pela Vara da Infância e Juventude de Teresópolis que, desde o anúncio da triste situação, recebeu dezenas de pessoas interessadas em dar o que o bravo menino não teve da pessoa que o gerou: Carinho, amor e uma família. Porém, a vontade de dar um futuro melhor para uma criança não é o suficiente para adota-la. É preciso percorrer um longo caminho até poder pegar no colo ou abraçar um ser humano que tanto precisa dessas ações. Mas, no outro lado dessa história, o bebezinho abandonado pela mãe em Agriões não precisou esperar muito para ganhar um lar. Nesta sexta-feira, foi entregue a novos pais – um casal que aguardava na fila de adoção há cinco anos.
Diante de toda a situação envolvendo a criança, levando-se em conta que até então a mãe ou qualquer familiar não foram identificados, além de outros trâmites necessários nesse tipo de procedimento, a Juíza Vânia Mara e a Promotoria conseguiram agilizar a colocação familiar e garantir ao bebê o direito e cuidado de novos pais. O casal habilitado pela Vara da Infância e Juventude recebeu o direito de guarda para retirar o menino do abrigo e o próximo passo é abrirem o processo de adoção para registra-lo com o seu nome. Caso apareça algum familiar para contestar, será feito um novo estudo para avaliação judicial. Porém, quando for efetivada a adoção, esta é irrevogável.
Como geralmente acontece quando um bebê resiste ao abandono da mãe e as intempéries de uma via pública, aparecem muitos interessados em adota-lo. E, no caso do menino de Agriões, não foi diferente. “Apareceu gente à beça, pessoas querendo adotar a criança. Mas não é bem assim. Temos um cadastro, todo um trâmite, gente que fica até cinco anos esperando para conseguir adotar. É um longo processo que precisa ser respeitado até que o Juiz autorize a adoção”, lembra Cátia Regina, Assistente Social da VIJ.


Vara da Infância e Juventude, que funciona no segundo andar do Fórum, agilizou todo o procedimento envolvendo o menino encontrado em Agriões


Em relação a possível surgimento de um familiar do garotinho, isso, somente, não é o suficiente para que ele seja “devolvido”. “Se a família sabia que ela estava grávida, deveria querer saber da criança, mas não apareceu ninguém até agora”, diz Cátia. “E, se aparecer alguém, vamos verificar as condições da família. A criança não é propriedade dela. Temos quer todas as condições, pois a criança tem o direito de ficar em um bom lugar”, completa Eliana Bayer, Psicóloga da VIJ.

Entrega voluntária
Sem a identificação da mãe, logicamente não se tem ideia do que a levou a cometer tal ato. Porém, vale sempre frisar, ele não é necessário. Se a mulher não quiser ou achar que não tem condições de criar o filho, basta entrega-lo voluntariamente para ser adotado. Teresópolis tem cerca de 60 inscritos para esse processo. “Não é crime você vir na Vara da Infância e entregar filho em adoção, muito pelo contrário. Você está dando para uma entrega segura. Se não pode cuidar, procure a Vara da Infância e haja com responsabilidade. Quando se deixa na rua exposto, pode vir um cachorro, um rato e morder, o bebê não pode se defender. Isso sim é um crime. Procure a Vara da Infância. Vamos deixar você falar. Sabemos que a pessoa pode estar em estado de sofrimento muito grande e quando procura a gente a família acaba amparando de alguma forma”, destaca Cátia. 
Responsável pelo trabalho psicológico com essas mães, Eliane lembra que o apoio é fundamental e que não há nenhum tipo de julgamento quanto à decisão pela doação: “A mãe que começa ter dúvidas ainda não entregou. O que fazemos é ouvir os motivos dela, que podem ser de toda ordem, para saber se ela tem certeza se está tomando essa decisão sabendo todas as alternativas que ela pode ter. Não queremos que tome decisão de maneira impulsiva, mas que seja pensada, que reflita. O que fazemos durante o atendimento é escutar a mãe, acolher sem julgamento, sem linchamento moral, sem tentar convencer a ficar, a cuidar com o filho. Não entramos em mérito nenhum. Sabemos das dificuldades, como as de ordem objetiva, financeira, que acometem a maior parte do país. Nosso principal papel é abraçar essa mãe, mostrar apenas que há um caminho seguro a seguir”.


 

 

 

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