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Bancários denunciam exploração de funcionários pelo Santander

Data: 21/06/2019

Para a presidente do sindicato, Adriana Nalesso, o sistema financeiro brasileiro cobra taxas e juros abusivos, é altamente lucrativo, não tem responsabilidade social e explora ao extremo seus funcionários - Julia Passos

Representantes de organizações de bancários criticaram uma ação do Banco Santander, que em maio instituiu um programa de trabalho voluntário aos sábados. Durante audiência pública nesta segunda-feira (17), funcionários afirmaram que houve pressão para que eles trabalhassem, sem remuneração, fora dos horários estabelecidos pela legislação brasileira. A reunião foi promovida pela Comissão de Representação para Acompanhar o Cumprimento das Leis da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), também conhecida como Cumpra-se. “O que houve é inacreditável. Trabalho voluntário para banco parece piada. Já fiz muito trabalho voluntário de plantar árvore, tirar lixo de praia, mas trabalhar voluntariamente aos sábados para banco eu nunca tinha ouvido falar. Nós vamos atuar contra essa precarização”, declarou o deputado Carlos Minc (PSB), que preside o Cumpra-se.
Depois que o Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro entrou na Justiça contra a medida, o Santander recuou, encerrando o programa. Outros estados, porém, ainda enfrentam o problema. Para a presidente do sindicato, Adriana Nalesso, o sistema financeiro brasileiro cobra taxas e juros abusivos, é altamente lucrativo, não tem responsabilidade social e explora ao extremo seus funcionários. “O Banco Santander, de forma inovadora e ousada, resolveu implementar uma atividade de orientação financeira aos sábados de modo voluntário. E não tinha nada de voluntário, quando fomos olhar as denúncias. O que tinha era pressão para o bancário trabalhar de maneira gratuita para o banco. Consideramos isso um absurdo. O Brasil é responsável por 30% do lucro global do Santander. Em comparação à Espanha, aqui eles cobram 1.761% a mais por ano de seus clientes por meio da prestação de serviços”, argumentou Nalesso. “Tanto uma lei federal quanto uma resolução do Banco Central deixam muito claro que sábado não é dia de trabalho bancário. Portanto, o Santander, a pretexto de instituir um voluntariado, queria forçar seus servidores a trabalharem em suas agências aos sábados, e ainda usando o argumento absolutamente inverossímil de que queria avançar na educação financeira com seus clientes. Na verdade, querem vender mais produtos e captar mais investimentos”, afirmou o deputado Waldeck Carneiro (PT), presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, que também participou da reunião.
Os deputados Carlos Minc (PSB) e Waldeck Carneiro (PT) decidiram também notificar a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), na tentativa de evitar que outros bancos privados sigam por caminho semelhante. Além disso, será proposta, em plenário, uma moção de repúdio à conduta da instituição financeira. As duas comissões vão se posicionar contra a atitude do Santander e notificar o Ministério Público do Trabalho, o Banco Central e o Santander, que não enviou nenhum representante à audiência pública.

Mais problemas
Outras reclamações sobre o tratamento dos bancários pelo Santander foram ainda apontadas durante o encontro, como o acúmulo de funções, mudanças nas datas de pagamentos e aumento de carga horária. De acordo com Paulo Roberto Garcez, secretário-geral da Federação dos Bancários do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, em algumas cidades o banco está ampliando seu horário de funcionamento nos dias de semana. “Estão mudando os horários e não contratam mais pessoal, então isso é aumento de carga horária”, criticou. Ele também ressaltou que os bancos já estão em busca de flexibilizar as normas para permitir a operação nos fins de semana e feriados. “Somos totalmente contrários. A normalização do Banco Central é clara: bancário é para trabalhar de segunda à sexta”, defendeu Garcez.

 

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