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Bairros mais afetados pela Tragédia de 2011 temem novos problemas

Data: 09/11/2019

A justificativa para canalizar o rio é que dessa forma a água correria melhor até chegar ao Paquequer e evitaria alagamentos. Porém, a obra ?bonita e funcional? de outrora hoje mal pode ser vista tamanho o assoreamento e vegetação - Marcello Medeiros

Quem viveu a maior catástrofe ambiental do país, em 12 de Janeiro de 2011, mesmo que indiretamente, dificilmente vai esquecer o grande número de estragos e vidas perdidas em enxurradas e deslizamentos de terra em proporções nunca vistas. Já aqueles que moravam em regiões onde sequer choveu naquela noite, e nos dias, meses e anos seguintes pouco fez para contribuir com a recuperação dessas comunidades, como alguns gestores públicos, hoje não tem nenhuma preocupação com o período de chuvas fortes que se inicia. Basta visitar uma das regiões mais afetadas na Tragédia para entender melhor essa triste situação. O Córrego Príncipe, que nasce em Campo Grande e deságua na Cascata do Imbuí, está quase que totalmente obstruído em vários pontos e, portanto, basta chover um pouco mais para o volume d´água afetar as poucas residências que resistiram ao temporal de quase uma década atrás. Além disso, obras prometidas como solução para melhorar a qualidade de vida de quem mora nessa região e evitar que áreas de risco voltassem a ser ocupadas nunca saíram do papel, como o Parque Fluvial e as barragens de contenção de cheias.
Falando em promessas, há quase um mês Teresópolis recebeu a visita do governador Wilson Witzel que, ao lado de representantes do governo municipal, informou que seria retomado no município o projeto “Limpa Rios”, que, justamente para evitar problemas no Verão que aproxima, promoveria a desobstrução do caminho da água no Príncipe e também no Paquequer, Imbuí e um rio na localidade de Bonsucesso, Terceiro Distrito. Até hoje, porém, nenhum metro de material de assoreamento foi retirado dos cursos d´água.
Atendendo a solicitação de moradores, na última quinta-feira retornamos ao curso do Príncipe – região que visitamos dezenas de vezes desde a inesquecível manhã de 12 de janeiro de 2011. Próximo à nascente, a confirmação em relação a mudança de projetos previstos e reocupação de áreas perigosas devido à ausência do Estado. No lugar das barragens de contenção de cheias, que trabalhariam segurando grandes volumes de chuva e liberando a água aos poucos, foram construídas duas grandes barreiras em metal, para segurar “apenas” pedras e troncos de árvore que por ventura sejam arrastados em um temporal.
Ainda em Campo Grande, dezenas de pessoas sobrevivem desde 2011, porquê não chegaram a um acordo com o governo estadual em relação ao valor pago pelos imóveis, não aceitando como troca um dos apartamentos de Fazenda Ermitage, e outros voltaram a viver em casas até parcialmente afetadas, reconstruídas para servir como moradia bem ao lado do Príncipe, conhecido originalmente como Córrego Antônio José.

Prédio fantasma
Seguindo pelas margens do hoje tranquilo curso d´água, nenhum sinal das áreas de lazer e conservação ambiental que deveriam fazer parte de um parque fluvial. No sentido contrário, em vários pontos o assoreamento é tanto que mal dá para ver a água seguindo seu caminho em direção a Cascata do Imbuí. Um desses exemplos é próximo ao acesso do Clube do Lago, lugar, aliás, onde ainda está de pé o que sobrou de um prédio de três andares cuja proprietária não conseguiu finalizar a indenização junto ao governo estadual.

Rio virou canaleta
Nos trechos mais próximos da Cascata, contrariando totalmente as lógicas ambientais, o Príncipe foi transformado em uma grande canaleta, suprimindo a vida natural nas laterais e fundo, além de não permitir o espraiamento característico da movimentação dos rios. A justificativa, na época, é que dessa forma a água correria melhor até chegar ao Paquequer e evitaria alagamentos. Porém, a obra “bonita e funcional” de outrora hoje mal pode ser vista tamanho o assoreamento e vegetação. Com a canalização, e construção de degraus no interior do rio, é impossível o acesso de máquinas para remoção do assoreamento. “Já cansamos de reclamar desse serviço, de pedir ajuda, de cobrar ao Inea, e nada é feito. O rio está quase todo fechado e basta chover um pouco mais forte para ficar perto de transbordar. Se chegar o Verão e nada for feito, com certeza vamos ter problemas por aqui”, relata Louis Capelle morador do bairro e integrante da Associação de Moradores e Amigos da Posse.

E o “Limpa Rio”?
Previsto para ser iniciado em 21 de outubro, o projeto “Limpa Rio”, do Instituto Estadual do Ambiente, ainda não foi iniciado efetivamente. A pergunta que é feita pelo teresopolitano, que conhece bem como fica o município em cada estação, é como as máquinas e funcionários do órgão acessarão os rios em pleno período chuvoso. De agora até o final do ano acontecem chuvas frequentes, já acontecendo de novembro ser totalmente embaixo d´água. Entre janeiro e março, as grandes tempestades de finais de tarde, comuns no verão. Outro detalhe que parece não fazer sentido mas precisa ser observado é que, em 2020, estaremos em pleno ano eleitoral para a escolha de novos vereadores e prefeito.

 

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