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Agulhinha do Beija-Flor, um pequeno e pouco conhecido cume

Data: 26/02/2018

Agulhinha do Beija-Flor vista do final da Estrada da Barragem, na sede Teresópolis do Parque Nacional da Serra dos Órgãos

Marcello Medeiros

Quando se fala em “agulha” e Serra dos Órgãos, logo se vem à cabeça a “do Diabo”, imponente formação rochosa que se eleva a 2.050 metros de altitude em relação ao nível do mar e cuja escalada foi considerada uma das 15 mais bonitas do mundo. Mas existem nessa região outras menos conhecidas, com a mesma nomenclatura inicial por conta da peculiaridade de seus formatos ou comportarem poucas pessoas em seus cumes. Uma delas é a Agulhinha do Beija-Flor, que leva esse nome por ficar no complexo de montanhas vizinhas ao rio homônimo. Apesar de pouco frequentada, tem acesso relativamente fácil e uma vista linda para a floresta conservada pelo PNSO, para boa parte de Teresópolis e até algumas das montanhas protegidas pelo Parque Estadual dos Três Picos.

Apesar de batizada como “agulha”, ela não lembra nada a ferramenta de trabalho das costureiras, diferente da citada no início e a Bonatti, também na Serra dos Órgãos – essa nas proximidades da Pedra do Papudo. A Agulhinha do Beija-Flor remete mais a uma ilha de pedras em um mar de floresta. Ela pode ser vista de alguns pontos do bairro do Alto e Granja Guarani, mas devido a sua proporção em relação à vegetação não é de fácil identificação. Quem já esteve no final da Estrada da Barragem, na sede Teresópolis do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, já deve ter visto essa montanha, mesmo sem saber que se tratava dela. Basta parar de frente para o gramado e a cachoeira nesse ponto e elevar o olhar para perceber a afloração rochosa em meio a grandes árvores.

E fica ali o início da trilha, a mesma que vai para a montanha mais frequentada da unidade de conservação, a Pedra do Sino. São aproximadamente 700 metros por esse caminho e, em uma curva forte para a esquerda, o caminhante deve achar uma quase imperceptível trilha no lado direito. Mais alguns metros e surge o Rio Beija-Flor, em um ponto onde existem alguns tradicionais totens de pedra. E desse trecho em diante entra em cena o grande diferencial em relação a outros pontos visitados na Serra dos Órgãos.
O bonito rio, com pequenos poços e quedas, convidativos ao banho mesmo quando o tempo não está quente, já dá o tom de como será o caminho dali em diante. Úmido, bastante úmido. Pouca iluminação e a terra quase sempre molhada fazem com que a trilha da Agulhinha Beija-Flor, somada a inclinação mais forte em alguns pontos, seja bastante sensível. Por isso, ela não entra na lista de trajetos divulgados, por não suportar uma carga muito grande de visitantes.

Quem tem a sorte de conhecer, ou ser levado por alguém que conhece, com certeza ficará com vontade de voltar. O clima e cheiros diferentes, trechos onde grandes raízes servem de apoio ao caminhante, o mato arranhando em alguns pontos – o que não acontece nas trilhas mais batidas e consequentemente abertas, o solo com uma rica serapilheira, que também não ocorre onde muitas pessoas costumam passar com frequência... Apesar de bem próximo ao popular acesso ao Sino, nada lembra esse trajeto. Por conta desses diferenciais, é preciso realmente buscar informações ou meios tecnológicos para se orientar, ou um guia caso não tenha experiência suficiente no montanhismo.

Complexo do Frade

Da Barragem até o cume da Agulhinha do Beija-Flor são apenas aproximadamente dois quilômetros, trajeto considerado leve superior por conta do desnível entre saída e destino final. Um pouco antes de se chegar ao topo, o caminhante já começa a avistar uma das montanhas mais conhecidas e de formato curioso da Serra dos Órgãos, o Nariz do Frade com sua Verruga. Aliás, desse cume é possível avistar quase toda essa formação, com o grande Queixo à frente. Só falta a Testa/Capucho, que fica um pouco mais atrás dessas duas. Também se destacam a partir da Agulha a Pedra da Cruz e o Papudo. 

Outra curiosidade é que se avista do topo todo o trecho de floresta cortado pela trilha da Pedra do Sino, inclusive o famoso lajedo do Abrigo 3. Olhando no mesmo sentido, o imponente vale verde, composto por grandes e diferentes árvores. No meio dele, desce, nessa época do ano bastante volumoso, justamente o rio Beija-Flor. Por conta da densa vegetação, ele não pode ser visto de cima, mas é facilmente ouvido. No sentido inverso, boa parte de Teresópolis e, se o tempo estiver aberto, boa parte das formações na área do PETP, inclusive as que dão nome a esse parque e a Mulher de Pedra.

Escaladinhas

Para se chegar aos 1.480 metros de altitude, o cume da Agulhinha, é preciso vencer um pequeno trecho de rocha, de aproximadamente três metros, com suave inclinação. À esquerda, um grande abismo. Por isso, para os menos experientes ou que tenham receio em relação à altura, é preciso fixar uma corda para o cabeamento. Se ainda assim houver dúvida, é melhor utilizar uma cadeirinha para a devida segurança. Existem grampos no cume, um utilizado para permitir esse acesso mais tranquilo pela rota normal e outros da variante “Cidadela”, utilizada como campo escola para treinamento de cursos básicos de alguns clubes.
A Beija-Flor foi conquistada em 08 de setembro de 1974 pelos membros do Centro Excursionista Brasileiro (CEB) Otávio Meira Vasconcelos, Raimundo Luiz Minchetti e Francisco Berardi, este último ainda em plena atividade e responsável por diversos outros desbravamentos em nossa região. Três anos depois, Minchetti, Octávio e Telênia Hill retornaram à Agulhinha para conquistar uma pequena chaminé bem próximo ao cume. Graduada em segundo grau, essa via de aproximadamente 20 metros também é muito utilizada para treinamentos. Para os adeptos da escalada esportiva, na parte externa existe a via Fissura Mariana, que tem crux graduado em 7º grau. Do cume é possível descer por grande rapel, de aproximadamente 40 metros de altura, batizado como descida Henry Thoreau, em homenagem ao famoso naturalista americano.

Pouca visitação

Durante todo o ano passado, foram realizadas apenas 17 excursões para tal montanha. Com a minha ida na semana passada, em companhia da minha noiva Danielle Mendes, foram apenas três em 2018. Para saber mais sobre essa e outras atividades de montanha, visite uma das reuniões sociais do Centro Excursionista Teresopolitano, o CET. Elas acontecem todas as quartas-feiras, a partir das 20h30, na loja da Sociedade Pró-Lactário, no número 555 da Avenida Lúcio Meira, na Várzea. O e-mail da coluna é o marcello@odiariodeteresopolis.com.br

 

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