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Tião Corrêa, o "pai" das sakuras da rodoviária

Data: 08/08/2017

Marcello Medeiros

Os tons de rosa e branco, em contraste com o céu azul de inverno, tem tomado conta das redes sociais por conta da floração das Cerejeiras, as sakuras, em especial as localizadas nas proximidades do Terminal Rodoviário José de Carvalho Janotti, na Várzea. É difícil passar pela Avenida Tenente Luiz Meirelles ou pela Rua Waldir Barbosa Moreira e não parar para registrar ou pelo menos admirar os três coloridos exemplares do Prunus serrulata, espécie originária do Japão e que tanto sucesso tem feito por aqui. Mas, mesmo com o encantamento atual, o olhar opaco pela correria diária faz com que a maioria dos teresopolitanos acredite que elas “sempre estiveram por ali”, ou pelo menos, existam há muito tempo. Porém, o tempo de vida das árvores que hoje são tão admiradas e fotografadas é relativamente pequeno. Foram plantadas em 21 de setembro de 2005, pelo cidadão teresopolitano Sebastião Corrêa, popularmente conhecido como Tião, então à frente do setor de Parques e Jardins, da Secretaria Municipal de Serviços Públicos. Sempre atento aos acontecimentos no município, O DIÁRIO registrou o plantio das então mudinhas, voltando ao local nesta terça-feira para contar mais um capítulo dessa bonita história.
“Isso aqui não tinha nada, nós que fizemos a mureta, a passarela, construímos tudo, fizemos tudo com muito amor para depois realizar o plantio das sakuras. Quando se planta uma mudinha pequenina, se espera uma árvore no futuro, mas eu não esperava tanta beleza quanto aqui”, conta o sorridente Tião, que, lá atrás, em 2005, já projetava um futuro mais bonito para o local onde diariamente chegam dezenas de turistas. “As árvores que plantamos hoje poderão, com certeza, ser admiradas pelos nossos filhos e netos. Quando estiverem floridas, talvez nossos netos se lembrem de quem as plantou", relatou o emocionado servidor público ao repórter Reginaldo Castro.
As cerejeiras cresceram, floresceram e fazem cada vez mais sucesso. No pequeno espaço de tempo que ficamos próximo a elas, preparando a reportagem, flagramos dezenas de pessoas fazendo a tradicional “selfie” ou imortalizando mais uma floração das frondosas sakuras. Existem ainda outras três, um pouco menores, que também projetam um colorido e bonito futuro. “Quando você florida uma árvore que você colocou no chão, é motivo de muito orgulho. Uma planta dessas dá visibilidade para uma cidade inteira. Alguém que enxerga, gosta, que curte, para aqui. E até pessoas que nunca colocaram no chão uma plantinha, se rendem a tamanha beleza, se sentem mais bonitas perto das flores. Ter participado disso é o maior prêmio. Isso você não compra, não tem a venda”, pontua Corrêa.

A cerejeira histórica
A história dessa árvore no país se confunde com a da imigração japonesa, que teve início a partir de 1908. Para diminuir a saudade do seu país, eles plantaram centenas de variedades de Sakuras por onde passaram, se adaptando melhor ao clima do nosso país as espécies Okinawa, Himalaia e Yukiwari, que por aqui têm floração tão exuberante quanto no Japão – de onde a planta é um dos símbolos. 
Ainda ao lado do terminal rodoviário, mais perto da ponte, existe outro exemplar de cerejeira, este com íntima relação com o povo que tanto venera. “Doze anos atrás, em 21 de setembro de 2005, vim aqui com o Reginaldo Castro para registrar o Tião plantando essas cerejeiras, mas já havia aqui uma mais antiga, que sempre encantou o teresopolitano, até pela cor dela, um rosa mais escuro. E essa foi plantada pelos japoneses, junto com uma plantada no colégio Sakurá, em visita do Cônsul daquele país a Teresópolis no Governo Malhardes, de 73 a 76. Há uma ligação muito forte com a colônia japonesa em Teresópolis, disseminando essa espécie Brasil a fora, na região especificamente aqui e em Nova Friburgo”, explica o Jornalista e Historiador Wanderley Peres, que destaca ainda a importância do cuidado com a natureza para as nossas futuras gerações.
“As pessoas convivem com o feio, com os problemas diários da cidade, a desordem urbana, a poluição, mas gostam do bonito. Quando ele aparece no meio urbano, elas vêm, fazem foto, divulgam, se empolgam. E os políticos deveriam observar isso, pois enquanto pessoas estão fazendo selfies não estão falando deles. Deveriam distribuir mais belezas, para serem elogiados... Pena que fazem tão pouco. Aqui é um dos exemplos que quando há pessoas envolvidas em um governo, podem fazer um bom serviço. Se os políticos de hoje plantassem mais árvores, as gerações que estão vindo aí poderiam ter muito mais para admirar no futuro, sem contar todos outros benefícios”, destaca.

Biologia da sakura
“Trazida da Ásia, ela se adaptou muito bem por aqui, conciliou muito bem com o nosso clima e principalmente na região de Mata Atlântica. É motivo de festa no Japão e aqui é destaque no paisagismo, pois perde todas suas folhas e depois vem as flores, com ainda mais destaque. Ela pode ter entre quatro e dez metros de altura, outra característica que faz com  que ela seja requisitada”, lembra a Bióloga Hayssa Dumard. “Essa floração varia de branco até um rosa, que acaba se destacando mais. Esse é um dos principais atrativos do paisagismo, que é incomparável e todos nessa época do ano voltam os olhos para ela”, completa a jovem.
Uma lenda conta que a palavra "sakura" surgiu com a princesa Konohana Sakuya Hime, que caiu do céu perto do Monte Fuji, tendo se transformado nessa bonita flor. Também existe uma crença que o cultivo de arroz poderá ter originado a palavra, tendo em conta que "Kura" era o depósito onde esse alimento (visto por muitos japoneses como uma oferta divina) era guardado. Os samurais, os guerreiros japoneses, eram grandes apreciadores da flor de cerejeira. Desde aqueles tempos, passou a estar associada à efemeridade da existência humana e ao lema dos samurais: Viver o presente sem medo. Assim, a flor de cerejeira está também associada ao código do samurai, o Bushido.


Foto: Marcello Medeiros - “As árvores que plantamos hoje poderão, com certeza, ser admiradas pelos nossos filhos e netos. Quando estiverem floridas, talvez nossos netos se lembrem de quem as plantou", relatou Tião Corrêa em 2005

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