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Sumavielle, uma história de amor à cidade

Data: 06/02/2018

Wanderley Peres

Se vivo estivesse, o médico e professor Antonio de Oliveira Sumavielle teria feito 101 anos na última quarta-feira, 31. Nascido no Rio de Janeiro, em 1917, o médico formado em 1939 veio para Teresópolis e aqui se encantou com a cidade, fazendo dos nossos problemas interesse seu. Administrador do Hospital Municipal, revolucionou a medicina com sua técnica e conhecimento; professor de ciências, formou também em Geografia, e todos tem boa lembrança dele no ginásio Teresa Cristina, onde formou-se também em Contabilidade, e formou tantos outros em diversos saberes. Presidente do Lions Clube, envolveu-se em ações de benemerência, e usou de seu prestígio para ajudar em diversos projetos da cidade, como o Festival de Cinema, onde era voluntário, ou na LBA, onde ajudou muitas famílias. Quantas pessoas humildes ajudou a pedido de outros... Partos no interior para onde ia em carroceria de caminhão, laudos médicos para descobrir doenças em pessoas humildes, atestados de pobreza, de óbito... Até "atestado de defloramento" para efeitos de casamento na delegacia o médico Sumavielle fazia, e tudo por graça da sua generosidade e disposição em ajudar o próximo.

Conselheiro de Cultura, secretário da Fundação Pró-Arte, palestrante de primeira hora para todo tipo de evento, poeta, artista plástico, escritor, e colunista da imprensa local onde disseminava conhecimentos diversos e opinava sobre a cidade tão carente de informações e avaliações sobre ela mesma. Antônio de Oliveira Sumavielle era uma pessoa interessada por tudo, e apesar de atarefado com tantas ocupações ainda contribuiu com a memória da cidade criando um museu com imagens e documentos que vivia a recolher por todo canto. Guardou consigo a memória das famílias de Teresópolis, e aqueles que compunham o seu núcleo familiar viraram temas para seus livros nunca editados, todos em edição única para um dia serem compartilhados. Habitantes da "Casa das Três Meninas", na Tijuca, para onde acorriam todo tipo de gente carente de atenção para os seus problemas, Maria José era a esposa dedicada e querida, e as filhas Angela, Dorotéia e Lídia seus maiores amores e paixão.

O Mamute, onde pretendia preservar a memória de seu tempo, e guardar para a posteridade a história local não vingou, e todo o seu acervo teria se perdido não fosse a providencial guarda que encontrou nas mãos do médico e amigo, seu aluno e admirador de primeira hora José da Silva Pereira, que encaminhou na medicina. Milhares de fotografias e documentos, desenhos e laudos, pesquisas diversas... Mapas raros, de antes do surgimento da cidade, todo esse material ficou guardado desde a sua morte pelo "filho adotivo" José Pereira, acervo que meses atrás passou à guarda ao Pró-Memória Teresópolis, fundo de museu que junto dos ricos fundos Osiris Rahal e Varejão preservam boa parte da história da cidade.

Comemorando os 101 anos de Antonio Sumavielle, e em memória de sua bela trajetória de vida, fiz um pequeno trabalho que está exposto no Espaço Cultural Diário, na sede da redação do jornal, na rua Carmela Dutra, 745. A exposição é aberta ao público, e foi inaugurada na última quarta-feira, com a presença do benemérito casal Iza e José Pereira, do pesquisador da história local Romildo Pires, e dos médicos Maurílio Schiavo e Romualdo, da Sociedade de Ciências Médicas, onde seguirão expostos os painéis a partir do mês de março.

Vale a pena visitar a mostra Sumavielle, especialmente aqueles que interessam-se pela história local e seus principais personagens, e Sumvavielle é um deles, sem dúvida. Professores com alunos podem agendar visita guiada na redação, ou pelo telefone 2742-9977.

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