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Passeios e aventuras pelas estradas da Zona Rural

Data: 18/06/2018

Estradas de terra batida, pequenas e simpáticas propriedades rurais, grandes árvores... Há para ver no interior - Fotos Marcello Medeiros

Que Teresópolis tem um potencial enorme para o turismo é bem fácil perceber. Muita gente, porém, lembra “apenas” dos parques ou atrativos como Feirinha do Alto e os nossos restaurantes e se esquece de uma das grandes potencialidades do município, o turismo rural. As dezenas de estradas que cortam comunidades e ligam Segundo e Terceiros Distritos são muito mais do que acessos para os moradores e produtores rurais. Elas permitem conhecer melhor a nossa região e podem abrir janelas para um mundo diferente e cada vez mais distante das abarrotadas e tumultuadas áreas urbanas. Uma das maneiras de percorrê-las praticando uma atividade física, contemplando belezas naturais e se encantando com as ricas lavouras é em duas rodas. De bicicleta se vai mais longe, os pulmões se enchem de ar puro, o coração bate mais forte nas subidas e a cada novo cantinho visitado e alma ganha uma leveza impressionante.
E foi nesse meio de transporte que, mais uma vez, cruzei dezenas de localidades entre os distritos rurais do município. Nove, para ser mais preciso. Bonsucesso, Vale Alpino (antigo Córrego Sujo), Chácara, Gamboa, Ponte Nova, Serra do Capim, Água Quente, Mottas e Santa Rosa! Foi um dia cheio de pedal, principalmente porquê, como costumo dizer sempre aqui, não preocupo em bater recordes ou estar “nas cabeças” em aplicativos como o Strava. Pedalo por um prazer além dos números. Logicamente, tenho sempre a preocupação em retornar antes de escurecer, diminuindo assim o risco de acidentes como tombos ou atropelamentos. Mas, dentro dessa margem de segurança, gosto de vivenciar a experiência de atravessar regiões ainda pouco ocupadas e realmente enxergar o que por muitos é apenas visto.
Na gíria dos ciclistas sou um “peba”. Mas, como já citou a grande Renata Falzoni, do “Bike é Legal”, um “peba com orgulho”. Capacete, luvas, óculos... Devidamente equipado, bora pedalar e acumular experiências e não apenas números. Logicamente, respeito quem treina para competições, quem gosta de se superar a cada pedalada, mas a minha “vibe” é outra. E, acredito, muita gente tem o mesmo sentimento quando coloca sua magrela para rodar.

História
O meu último passeio em duas rodas aconteceu no fim de semana passado. Deixei o carro em um posto de gasolina de Bonsucesso, às margens da RJ-130, e segui sentido Friburgo. Cerca de um quilômetro depois, entrei à esquerda, em direção à Vale Alpino. Logo depois de deixar a rodovia principal e começar a pedalar nos caminhos de terra batida, a primeira grande subida.
Devagar e sempre até o topo do morro, deixando para trás já uma vista para algumas montanhas na área do Parque Estadual dos Três Picos. No ponto mais alto dessa primeira elevação vencida, hora de respirar e admirar o vale no sentido que seguiria, olhando para o Segundo Distrito. Dali em diante, uma grande e forte descida até a antiga comunidade de Córrego Sujo, onde se tem a primeira experiência além da beleza cênica da região, a rústica e charmosa Capela de Nossa Senhora da Conceição, datada de 1910, portando dois anos antes da conquista do Dedo de Deus.

Água e ovelhas
De Vale Alpino, segui para Chácara. Mais uma subida bastante forte. Um pouco antes do fim dessa “montanha”, outro momento curioso. Um pequeno rio atravessa a estrada e, mesmo nessa época do ano, de estiagem, costuma ter um bom volume d´água... E nenhuma ponte! Essa região, aliás, parece ser bastante úmida. Alguns quilômetros à frente, uma pequena criação de ovelhas e carneiros. Quando passei por lá a primeira vez, dez anos atrás, havia grande número de animais e uma sinfonia impressionante. Dessa vez, dava para contar nos dedos as ovelhinhas.

Sobe, sobe...
Saindo de Chácara, uma bifurcação indica duas possibilidades: À direita, mais alguns poucos quilômetros até Serra do Capim. À esquerda, uma distância bem maior a ser percorrida para chegar à BR-116. E fui pelo caminho mais longo, passando por Gamboa e Ponte Nova. Nesse trecho, é mantida uma das características da região... Sobe, sobe, sobe...

Rodovia federal
De Bonsucesso, fui parar na Estrada Rio-Bahia, “do outro lado da cidade”. Saí em Ponte Nova, ao lado da grande passagem que permite os veículos cruzarem o Rio Preto. Uma paradinha para o lanche e segui em frente, em direção a Serra do Capim. Apesar de existência de bom acostamento, pedalar em uma rodovia movimentada é sempre mais tenso. E toquei pela BR-116 até o Mercado do Produtor Rural, em Água Quente.

A beleza das lavouras
No ponto de comércio dos produtores rurais, toquei para a direita. De Água Quente, cruzei muitas, coloridas e produtivas lavouras de todo o tipo em direção a Mottas. Impressiona a beleza delas e logicamente a prosperidade de alguns desses bravos trabalhadores do campo. Já no meado da tarde, com o tempo fechado e chuviscando, cheguei a Mottas e posteriormente em Santa Rosa, saindo novamente na Teresópolis-Friburgo. Nesse trecho final, com o tempo nublado, me veio à mente um trecho de “Walden”, de Henry Thoreau: “"Embora esteja frio, nublado e ventoso e não veja nada de especial que me atraia, sinto uma vulgar afinidade com todos os elementos".

Falta identificação
Foram aproximadamente 70 quilômetros de pedalada e altimetria que estimo cerca de 2.000 metros. Não pude medir corretamente por conta de um problema no aplicativo... Aliás, em relação tais distâncias e identificações, o novo gestor municipal poderia colocar entre suas metas de governo valorizar o turismo rural. São muitas as opções de passeios e aventuras por essas estradas do interior, mas faltam indicações sobre as localidades e, quem sabe, suas potencialidades. Conversando com o Jornalista e Historiador Wanderley Peres, tive acesso a um trabalho publicado pela prefeitura na década de 70 e que pode inspirar esse investimento na Zona Rural do município, o Plano Rodoviário Municipal. De autoria de Osiris Rahal, e lançado em 1974, ele tem informações sobre todas as estradas do interior, disponibilizando detalhes sobre cada uma e um rico mapa com os nomes e ligações de cada localidade entre Segundo e Terceiro Distritos. Se naquela época, com parcos recursos, foi possível publicar um trabalho com tamanha riqueza, imagine o que dá para fazer com a tecnologia atual?

 

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