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Parque fluvial, mais uma obra que ficou na promessa

Data: 12/01/2018

Nas imagens áreas produzidas pela Padrone para a DIÁRIO TV é possível ver que algumas residências continuam bem próximas ao rio. Além disso, nos locais onde deveriam existir uma ciclovia e outros equipamentos de lazer, apenas muito mato, vegetação que esconde ainda a questionável obra feita ao longo do Príncipe (Foto PADRONE)

Marcello Medeiros

Sete anos após a maior catástrofe natural do país, muitos problemas gerados pelos inacreditáveis deslizamentos de terra e transbordamentos de rios e as promessas feitas por aqueles que pretendiam resolve-los acabaram esquecidos. Uma das grandes soluções apresentadas para evitar novas perdas materiais e de vidas ao longo de um dos cursos d´águas mais afetados na madrugada de 12 de janeiro de 2011 nunca saiu da etapa dos projetos. O sonhado Parque Fluvial, que atenderia as comunidades da Posse e Cascata do Imbuí, impedindo a reocupação das margens do Rio Príncipe e garantindo áreas de lazer para tão sofridas regiões, ficou na história. O primeiro anúncio da grande intervenção aconteceu no final daquele mês, feito pelo então secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, que falava em R$ 190 milhões para obras em Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo. - O objetivo dos parques fluviais é impedir que a população volte a ocupar as margens dos corpos hídricos, ao mesmo tempo em que poderá usufruir de uma área de lazer com atrações como ciclovia - afirmou Minc, ao lado da presidente do Instituto Estadual do Ambiente na ocasião, Marilene Ramos.

A grande obra foi confirmada sete meses depois, em meados de agosto, pela própria Marilene. Após vistoria na Posse e Cascata do Imbuí, ela participou de reunião extraordinária do Conselho Municipal de Meio Ambiente de Teresópolis, no Teatro Municipal, reforçando a busca por recursos do governo federal para o empreendimento. “O trabalho não se restringe a Campo Grande e Posse, mas também a área dos outros rios. Nesse momento é o trabalho com equipamentos próprios, dentro do programa Limpa Rio. Com a desocupação e imediata demolição, a implementação dos parques depende da vinda de recursos federais”, pontuou, em entrevista ao jornal O DIÁRIO e DIÁRIO TV.

Naquele momento, foi anunciada a desocupação obrigatória das margens de rios, adotando o limite restritivo de 15 metros na área urbana ou 30 metros na zona rural, além de um limite para mancha de inundação para o tempo de recorrência (onde a água pode chegar em caso da maior média de chuva para a localidade) e a distância mínimo de 7 metros da margem da calha do rio, a partir das dragagens que estão sendo realizadas.

Tanto tempo depois, nem o serviço de retirada de imóveis no caminho da água foi concluído entre Campo Grande e Cascata do Imbuí, caminho do Rio Príncipe. Milhões foram investidos nas demolições, mas mesmo assim o INEA tentou liberação de novo edital para o serviço cerca de dois anos atrás, com negativa do Tribunal de Contas do Estado. Além disso, em muitos casos moradores não chegaram a acordo com o governo estadual para negociar seus imóveis, como no caso de um prédio de três andares no bairro da Posse, que até hoje assombra quem passa pela Estrada José Gomes da Costa e guarda marca marcas da Tragédia de 2011.

Nas imagens áreas produzidas pela Padrone para a DIÁRIO TV é possível ver que essa e outras poucas residências continuam bem próximas do rio. Além disso, nos locais onde deveriam existir uma ciclovia e outros equipamentos de lazer, apenas muito mato, vegetação que esconde ainda a questionável obra feita ao longo do Príncipe. O rio foi transformado em uma canaleta em vários pontos e, em outros, uma manta de pedras e arame também impedem o serviço de dragagem. Em meados do ano passado, o presidente Michel Temer anunciou a liberação de R$ 20 milhões para a limpeza do local. Porém, como é evidente, tal serviço realizado pelo Instituto Estadual do Ambiente meses após a catástrofe impede tamanho investimento nessas localidades.

Chuvas ainda preocupam

Após o temporal de 2011, o pequeno curso d´água ficou extremamente assoreado e tomado também por restos de imóveis afetados pela enxurrada. Todo material foi retirado, algumas pontes reconstruídas e, posteriormente, teve início a polêmica obra do INEA. O rio foi canalizado. Transformado em uma espécie de grande canaleta em vários pontos, ignorando os danos ambientais contra diversas espécies de fauna e flora que vivem no fundo e margens de um curso d´água. Tal serviço causa também o aumento da velocidade da água, aparentemente resolvendo o problema nessas localidades, mas aumentando o risco nos bairros seguintes. Nos pontos onde não houve a concretagem, as laterais e fundos receberam grandes pedras e telas. Ou seja, em nenhuma das opções é viável um serviço de drenagem eficiente. 

“Fizemos várias cobranças junto ao Inea em relação ao abandono do rio, de serviços que ficaram por fazer e áreas que consideramos mal feitas, como o estreitamento das pontes para a passagem da água. Algumas foram feitas com concreto, outro com gabião e nessa área próxima à igreja de São Sebastião, pedra e areia... Não entendemos. Queremos uma resposta do Inea. No ano passado estivemos com o então vice-presidente, que ficou de dar uma resposta, mas até agora nada. Temos outra tragédia, pois do jeito que está qualquer chuva normal é capaz de causar algum problema”, relata Louis Capelle, nascido e criado no bairro da Posse e parte da Associação dos Moradores.
Além do parque fluvial, foram “esquecidas” pelo governo estadual as três barragens de contenção de cheias que seriam construídas em Campo Grande. “Elas são muito importantes no controle de inundações. Elas vão nos dar condições de controlar a descida da água durante fortes chuvas, pois as barreiras recebem toda água e vão liberando gradativamente”, relatou ao jornal O DIÁRIO em meados de 2012 o engenheiro João Carlos Grilo, que na ocasião era responsável pelas obras do Instituto Estadual do Ambiente. A previsão é que todas as obras prometidas para Campo Grande, Posse e Cascata do Imbuí fossem concluídas no início de 2016. 

Um dos últimos imóveis remanescentes no bairro da Posse ainda é alvo de processo judicial pela falta de acordo entre proprietários e Estado. O prédio depenado não deixa a comunidade esquecer da tragédia

 

 

 

 

 

 

 

Rio Príncipe atualmente. Nada lembra o furioso curso d´água de 12 de janeiro de 2011... E a obra prometida para ele também ficou na história

 

 

 

 

 

 

 

Nas imagens áreas produzidas pela Padrone para a DIÁRIO TV é possível ver que essa e outras poucas residências continuam bem próximas do rio. Além disso, nos locais onde deveriam existir uma ciclovia e outros equipamentos de lazer, apenas muito mato, vegetação que esconde ainda a questionável obra feita ao longo do Príncipe

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